
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta terça-feira (28) indica que o Banco Central (BC) não sinaliza mais cortes na taxa básica de juros, a Selic. A decisão reflete um cenário de aumento nas incertezas, tanto no âmbito internacional quanto no doméstico, que afetam as perspectivas para a inflação e a economia.
Afastamento do ciclo de cortes
Até o início dos conflitos recentes, as projeções apontavam para um arrefecimento da inflação e um crescimento econômico compatível com a política monetária. Diante desse quadro, o Copom havia julgado adequado iniciar um ciclo de cortes na Selic em janeiro. Contudo, a elevação considerável das tensões geopolíticas e as incertezas sobre a política econômica dos Estados Unidos mudaram o panorama.
Cenário doméstico e o papel da política fiscal
No ambiente doméstico, o BC reitera a importância da saúde das contas públicas para o controle inflacionário. A ata destaca que a política fiscal influencia não só a demanda no curto prazo, mas também a confiança dos investidores na sustentabilidade da dívida brasileira. Uma política fiscal contracíclica é vista como essencial para a redução do “prêmio de risco”.
O documento alerta que o esmorecimento nas reformas estruturais e na disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra da economia. Isso impactaria negativamente a política monetária e o custo da desinflação em termos de atividade econômica.
Previsões e histórico da Selic
A meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. A previsão do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2024 subiu para 4,17%. Analistas também estimam que a Selic termine 2026 em 12,5% ao ano.
Desde junho do ano passado, a Selic estava em 15% ao ano. A última redução ocorreu em maio de 2024, quando a taxa caiu de 10,75% para 10,5% ao ano. Em setembro do mesmo ano, a taxa iniciou uma trajetória de alta até atingir os 15% anuais.
Com informações da Agência Brasil





