
A Região Metropolitana do Rio de Janeiro registrou um aumento de 44,2% nas mortes por arma de fogo entre 28 de outubro de 2023 e 28 de janeiro de 2024. Neste período, 329 pessoas foram mortas, 101 a mais do que no mesmo intervalo de 2022/2023, quando foram contabilizados 228 óbitos. O levantamento, realizado pelo Instituto Fogo Cruzado a pedido da Agência Brasil, abrange a capital, municípios do leste metropolitano e a Baixada Fluminense.
A mega operação policial deflagrada em 28 de outubro de 2023, que mobilizou 2,5 mil agentes para cumprir mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho em 26 comunidades da Zona Norte do Rio, como o Complexo da Penha e o Complexo do Alemão, coincide com o início do período de alta na letalidade. O número de vítimas fatais inclui civis, pessoas com antecedentes criminais e agentes de segurança. Quatro pessoas foram mortas por bala perdida e 23 ficaram feridas, sendo oito delas em ações policiais.
Tiroteios e Letalidade em Operações Policiais
Entre 28 de outubro de 2023 e 28 de janeiro de 2024, o Instituto Fogo Cruzado registrou 520 tiroteios e 220 feridos não letalmente. Desses tiroteios, 38,4% (200 casos) ocorreram durante operações policiais. Essas ações foram responsáveis por 68,8% das mortes (210 pessoas) e 56,8% dos feridos (125 pessoas) no período.
Chacinas e o Impacto das Ações Policiais
Quase metade das mortes registradas após a mega operação (47,7%) ocorreram em 12 chacinas, sendo que oito delas foram iniciadas por ações policiais. Desde o início do governo Cláudio Castro, em agosto de 2020, o Instituto Fogo Cruzado contabiliza 890 mortes em chacinas.
Investigações em Andamento e Busca por Respostas
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), através do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP), informou à Agência Brasil que está conduzindo investigações sigilosas sobre a mega operação nos complexos da Penha e do Alemão, com oitivas de policiais, familiares de vítimas e testemunhas.
A reportagem buscou contato com a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro e a Polícia Civil para obter informações sobre a efetividade da operação na redução do domínio de facções criminosas, variações em índices de roubos e furtos, e apreensões de drogas e armas após a ação. A Defensoria Pública, a OAB-RJ e o Conselho Nacional de Justiça também foram procurados para manifestações sobre o período pós-operação.
Com informações da Agência Brasil





