
Senadores da Comissão do Banco Master no Senado Federal cobraram, nesta terça-feira (24), o presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Carlos Accioly, sobre a suposta omissão da instituição na fiscalização do Banco Master. A instituição financeira é acusada de fraude bilionária no mercado de capitais, prejudicando milhares de investidores.
Acusações de omissão e histórico da CVM
O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), criticou a CVM, afirmando que não é a primeira vez que a autarquia demonstra omissão em casos de fraudes financeiras. Ele relembrou escândalos anteriores, como o caso das Lojas Americanas, e questionou a efetividade da fiscalização.
“Estamos falando de milhares, eu diria, de milhões de brasileiros que estão sendo prejudicados porque o dinheiro do seu fundo de previdência evaporou-se de forma criminosa. E não dá pra dizer que a CVM não foi omissa”, declarou Braga.
O senador sugeriu que a atuação do Banco Master poderia ir além da simples omissão da CVM, indicando que o dinheiro dos clientes teria sido usado para cobrir déficits da instituição. Braga usou o termo “omissão” de forma politicamente correta, mas insinuou a possibilidade de conflito de interesses.
Defesa da CVM e transparência nas ações
João Carlos Accioly, presidente interino da CVM, defendeu a atuação da autarquia. Segundo ele, a omissão pode ter ocorrido na divulgação das ações tomadas para coibir fraudes. Ele explicou que a CVM comunicou ao Ministério Público Federal (MPF) em junho de 2025 sobre indícios de aporte de quase R$ 500 milhões do Banco Master em clínicas de laranjas, detectados em sua supervisão.
Accioly afirmou que as informações para a operação da Polícia Federal (PF), a Compliance Zero, partiram da própria CVM. Ele destacou que foram abertos 200 processos, sendo 24 relacionados à tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB).
“Tem vários exemplos de atuações que a CVM fez”, disse Accioly, ressaltando que a responsabilidade do crime recai sobre os criminosos e não sobre as instituições de fiscalização, embora reconheça a necessidade de aprimoramento.
Identificação de falhas no sistema de proteção
A senadora Leila Barros (DF) questionou Accioly sobre onde estaria a falha no sistema de proteção do mercado financeiro, visto que, segundo ele, a CVM realizou seu trabalho.
“Aonde que houve o erro? Se a CVM identificou, está ali, comunicou ao Ministério Público e a fraude aconteceu, aonde que está o erro?”, indagou a senadora.
João Accioly respondeu que ainda é cedo para identificar as falhas, mas informou que a CVM criou um grupo de trabalho (GT) para analisar os erros cometidos pela Comissão. O relatório do GT buscará uma visão introspectiva para aprender com o que funcionou e o que não funcionou, admitindo a possibilidade de erros terem ocorrido.
Com informações da Agência Brasil





