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Quem é Quem no Poder da Venezuela Após a Captura de Maduro pelos EUA

A súbita prisão de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação conduzida pelos Estados Unidos, abalou os alicerces do poder na Venezuela, abrindo um novo e incerto capítulo na política do país. Com o líder máximo do chavismo fora de cena, as atenções se voltam agora para o círculo de confiança que o cercava e que, ao longo dos anos, consolidou sua influência e capacidade de decisão.


Delcy Rodríguez: A Vice-Presidente Interina e Poderosa Ministra do Petróleo

Delcy Rodríguez emerge como uma figura central neste novo cenário. Acumulando as pastas de vice-presidente executiva e ministra do Petróleo, ela assumiu interinamente a presidência da Venezuela após a detenção de Maduro. Sua trajetória no alto escalão do governo é marcada por uma ascensão constante desde os tempos de Hugo Chávez, passando por ministérios cruciais como Comunicações, Economia e Relações Exteriores. Sua liderança na polêmica Assembleia Nacional Constituinte de 2017 solidificou sua posição. Descrita como mais operacional que intelectual, Delcy trabalha em estreita colaboração com seu irmão, Jorge Rodríguez, preenchendo um vácuo de competências no governo. Sua carreira internacional não é isenta de controvérsias, com incidentes notórios como a tentativa de ingressar em reunião do Mercosul e o chamado “Delcygate” na Espanha, além de sanções impostas pela União Europeia e pelos Estados Unidos devido a alegações de violações de direitos humanos e deterioração democrática.


Diosdado Cabello: O Número Dois com Raízes no Militarismo

Considerado o número dois do chavismo desde os tempos de Hugo Chávez, Diosdado Cabello carrega um histórico de participação em momentos cruciais da revolução bolivariana, incluindo o fracassado golpe de 1992. Sua ideologia, frequentemente descrita como mais próxima do “nacionalismo militar” do que do socialismo radical, o diferencia de outros líderes. Ele ocupou diversos cargos de proeminência, como ministro do Interior e Justiça, presidente da Assembleia Nacional e da Assembleia Nacional Constituinte. Apesar de especulações sobre rivalidades, Cabello se declara leal a Maduro, definindo-os como “filhos de Chávez”. Sua influência nos quartéis é notável, embora analistas apontem para uma possível diminuição de seu poder com a aposentadoria de oficiais de sua geração. Como primeiro vice-presidente do partido governista PSUV, Cabello mantém uma base de poder sólida. Os Estados Unidos impuseram sanções contra ele em 2018, acusando-o de envolvimento em tráfico de drogas e corrupção, chegando a oferecer recompensa por informações que levem à sua prisão. Seu programa de televisão semanal, “Con el Mazo Dando”, serve como plataforma para defender suas posições e atacar adversários.

Vladimir Padrino López: O Ministro da Defesa de Longa Data

Vladimir Padrino López se destaca pela sua longevidade no cargo de ministro da Defesa, uma raridade na história venezuelana. Nomeado em 2014, ele se manteve no posto por mais de uma década, um feito atribuído à sua habilidade em gerenciar as complexas dinâmicas internas das Forças Armadas após a morte de Chávez. Padrino López comandou uma unidade de blindados que não apoiou o golpe de 2002, demonstrando sua lealdade ao governo. Sua descrição de si mesmo como “soldado bolivariano, decidido e convencido a seguir construindo a pátria socialista” reflete seu alinhamento ideológico. Sob sua gestão, os militares venezuelanos expandiram sua influência em diversas áreas do governo e da economia, incluindo a exploração de petróleo e o controle de reservas de ouro. A jornalista Sebastiana Barráez ressalta que Padrino López conseguiu harmonizar as Forças Armadas, garantindo sua unidade e apoio incondicional a Maduro. A frase “As Forças Armadas, hoje, são Padrino López. E Padrino López é Maduro” resume a simbiose entre o ministro e o então presidente.

Jorge Rodríguez: O Estrategista Político e Articulador

Jorge Rodríguez consolidou-se como uma figura-chave na articulação política do governo Maduro. Sua atuação como reitor do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) em 2003, organizando o controverso plebiscito pela revogação do mandato de Chávez, foi um marco em sua carreira, sendo acusado pela oposição de manobras para adiar o processo. Após o triunfo de Chávez, Rodríguez ascendeu a posições de destaque, incluindo a vice-presidência executiva e a prefeitura de Caracas. Atualmente presidente da Assembleia Nacional, sua experiência política precede o chavismo, com participação ativa na política estudantil. Ao lado de sua irmã Delcy, Jorge Rodríguez é um dos principais articuladores do governo, compartilhando raízes políticas com Maduro. Sua expertise em negociações com a oposição e governos estrangeiros, bem como seu papel como chefe de campanha de Maduro, o posicionam como um potencial sucessor, visto como a “figura intelectual que sobra” para o presidente. Sua capacidade de manter um “livre pensamento” dentro da estrutura hegemônica do chavismo é notada por analistas políticos.