
A Fundação Biblioteca Nacional (FBN), vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), anunciou a criação da 13ª categoria do tradicional Prêmio Literário Biblioteca Nacional. O novo prêmio, batizado de Prêmio João do Rio, será dedicado à crônica e entra em vigor a partir deste ano. Esta adição faz parte de uma ampliação na agenda de premiações da instituição, que sob a gestão do professor Marco Lucchesi, presidente da FBN desde 2023, já incorporou quatro novas categorias.
Novas categorias impulsionam diversidade literária
As novas categorias implementadas visam contemplar diferentes vertentes da produção literária e cultural brasileira. O Prêmio Akuli, dedicado a Histórias de Tradição Oral, foi criado para reconhecer a rica produção oriunda de comunidades quilombolas, aldeias indígenas e terras ribeirinhas. Marco Lucchesi destacou a importância desta categoria como uma forma de “captar o que está acontecendo no nosso país”.
Outra novidade é o Prêmio Carybé de Ilustração, que valoriza um aspecto fundamental do projeto gráfico do livro. A categoria de Histórias em Quadrinhos, batizada de Prêmio Adolfo Aizen, também foi instituída, refletindo a vasta coleção da Biblioteca Nacional nesse gênero, considerada a maior da América Latina.
Prêmio João do Rio resgata a importância da crônica
A mais recente adição, o Prêmio de Crônica João do Rio, atende a um desejo antigo de Lucchesi de institucionalizar o reconhecimento da crônica, gênero considerado essencial no modernismo brasileiro. “Ela dá um salto e se transforma quase em uma espécie de agenda permanente de tradução do cotidiano brasileiro”, explicou o presidente da FBN.
João do Rio, pseudônimo de Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, foi um pioneiro da crônica social moderna, retratando a vida boêmia e as classes populares do Rio de Janeiro no início do século XX. Apesar de enfrentar preconceitos, tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras em 1910.
Detalhes do Prêmio Literário Biblioteca Nacional
Com a inclusão do Prêmio João do Rio, o Prêmio Literário Biblioteca Nacional passa a ter 13 categorias. Cada vencedor receberá R$ 30 mil. Concedido anualmente desde 1994, o prêmio busca reconhecer a qualidade intelectual das obras publicadas no Brasil e é considerado um dos mais conceituados e democráticos do país, sem taxa de inscrição e com igual valor de premiação para todas as categorias.
Podem concorrer autores brasileiros com obras inéditas, em primeira edição, redigidas em língua portuguesa e publicadas no Brasil. Autores independentes também são elegíveis, desde que a obra esteja em Depósito Legal e possua ISBN.
As inscrições para o Prêmio Literário Biblioteca Nacional 2026 estão previstas para o primeiro semestre deste ano, com divulgação dos resultados entre outubro e novembro. A coordenadora do Centro de Cooperação e Difusão da FBN, Veronica Lessa, classificou a criação das novas categorias como uma “reparação histórica”.
Critérios de Avaliação e Depósito Legal
As obras são avaliadas por comissões julgadoras compostas por 39 especialistas de notório saber em suas áreas, considerando critérios como qualidade literária, originalidade, contribuição à cultura nacional e criatividade.
A FBN também reforça a importância do Depósito Legal, que consiste no envio de um exemplar de todas as publicações produzidas no Brasil à Biblioteca Nacional. Este procedimento, regulamentado pelas Leis 10.994/2004 e 12.192/2010, visa assegurar a preservação e a difusão da produção intelectual brasileira para a formação da Coleção Memória Nacional.
Com informações da Agência Brasil





