Pré-campanha polêmica: Plano de R$ 1 Milhão para engajamento positivo e ataques a adversários nas Redes Sociais é exposto

Em uma movimentação polêmica, o Diretório Municipal do Avante em Manaus planeja investir R$ 1 milhão entre 20 de maio e 20 de julho para impulsionar engajamento positivo nas redes sociais e atacar adversários políticos, incluindo o governador do Amazonas, Wilson Lima. As informações foram reveladas em uma planilha de gastos obtida com exclusividade pela Revista CENARIUM.

Estratégia de engajamento nas redes sociais

Segundo o documento obtido pela Revista CENARIUM, o Avante destina R$ 500 mil para cada mês da pré-campanha, focando em aumentar a presença digital dos pré-candidatos, como o atual prefeito David Almeida. As metas envolvem curtidas e visualizações de lives no Facebook, utilizando robôs para postar até 900 mensagens positivas sobre os pré-candidatos.

Ataques programados a adversários: “Wilçu Fora”

Uma parte significativa do orçamento é destinada a ataques diretos a adversários políticos. A planilha destaca a campanha “Wilçu Fora”, focada no governador Wilson Lima, antigo aliado de Almeida. O sistema robotizado está programado para replicar informações desfavoráveis até 900 vezes, visando candidatos adversários, incluindo prefeitos e vereadores.

Planilha de despesas com estratégias para as redes sociais do Avante/Manaus (Reprodução/Avante)

Remoção de conteúdo negativo

Além dos ataques, o Avante pretende usar inteligência artificial para remover matérias negativas sobre seus pré-candidatos de plataformas como WordPress, Facebook e Instagram. Este movimento visa limpar a imagem dos candidatos e assegurar uma presença digital positiva.

Blindagem e segurança

O partido também investiria em um “servidor israelense” para a blindagem de aparelhos celulares dos pré-candidatos e assessores, garantindo segurança contra espionagem e grampos. Este serviço inclui criptografia de dados e comunicações seguras, reforçando a proteção das conversas e trocas de mensagens.

Legalidade das despesas

A advogada especialista em Direito Eleitoral, Denise Coelho, afirmou que as despesas estão dentro da legalidade, conforme a Lei 13.165/2015, que permite gastos em pré-campanhas devido à redução do tempo das campanhas eleitorais oficiais. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aceita a divulgação nas redes sociais e a realização de eventos pagos pelos partidos, desde que moderadamente.

Pronunciamento do Avante

Em resposta ao vazamento da planilha, o Avante negou as alegações e destacou seu foco na gestão e na implementação de políticas públicas. O partido afirmou que a inteligência artificial tem sido usada por opositores para desgastar a imagem de David Almeida, citando exemplos de áudios falsamente atribuídos a ele. O Avante ressaltou que suas parcerias e projetos continuam, e que as acusações fazem parte de uma narrativa falsa criada por adversários.

A revelação sobre o uso de R$ 1 milhão pelo Avante para manipulação digital e ataques a adversários coloca em evidência as táticas agressivas usadas nas pré-campanhas eleitorais. Este caso levanta questões sobre a ética e a transparência no uso das redes sociais e tecnologias emergentes em campanhas políticas no Amazonas.