
O tradicional bloco Bafo da Onça comemorou seus 70 anos de história com um desfile especial de Carnaval nesta segunda-feira (16), marcando uma nova era para a agremiação. Pela primeira vez, o bloco ocupou as ladeiras de Santa Teresa, no Centro do Rio de Janeiro, e apresentou uma bateria reforçada com mais de 100 ritmistas.
Outra novidade celebrada foi a parceria com o Cacique de Ramos, um antigo rival que hoje se tornou um aliado importante. Fundado em 1956 em um botequim do Catumbi pelo lendário Sebastião Maria, conhecido como Tião Maria, o Bafo da Onça ostenta o título de segundo bloco em atividade mais antigo do Rio, atrás apenas do Cordão da Bola Preta. Ao longo de sete décadas, consolidou-se como um ícone do carnaval de rua e da cultura popular carioca.
Retorno às origens em Santa Teresa
A mudança para Santa Teresa é vista pelos integrantes como um retorno às raízes. “É o quarto ano consecutivo que venho como oncinha do Bafo da Onça. É uma alegria muito grande. Todos os outros anos foram na Avenida Chile. A primeira vez em Santa Teresa traz muita alegria e muita coisa boa”, afirma Rafa Manso, integrante do bloco.
O presidente do bloco, Roberto Saldanha, o Capilé, que lidera a agremiação há mais de 50 anos, expressou a emoção de desfilar em Santa Teresa: “Isso aqui para mim é um sonho. Eu tô no meu quintal. Eu tô em casa. Aqui a gente conhece todo mundo. Não tem nada de confusão, problema, aqui a gente só quer brincar”.
Rainha e reconstrução pós-incêndio
Entre os destaques do cortejo está Chelen Verlink, Rainha do Bafo da Onça, que acompanha o bloco desde a adolescência. “Comecei como princesa, com 13 anos. Hoje estou com 27 e no posto de Rainha. A gente vai crescendo junto com o bloco”, conta Chelen, que vê o Bafo como um “bloco família”.
O desfile também serviu como um marco na reconstrução do bloco após um incêndio em 2020 que destruiu a sede histórica, levando consigo instrumentos, fantasias e parte do acervo. A nova bateria, com instrumentos adquiridos por meio de emenda parlamentar, simboliza essa superação.
Parceria com o Cacique de Ramos
A aproximação com o Cacique de Ramos, iniciada em 2025 com a apresentação da tradicional roda de samba do Cacique na quadra do Bafo, foi um dos pontos altos. “Na realidade, nós nunca fomos rivais. Nós somos irmãos. Eles trazem uma ala para desfilar com a gente. Carnaval é festa”, reforça Saldanha.
A união entre blocos tradicionais é vista como um fortalecimento do carnaval de rua. “Vai atrair mais público. É bom que outros blocos também se unifiquem para valorizar os blocos tradicionais”, avalia Rafa Manso.
Foliões como Luana Brito, de 31 anos, que veio de Bangu para acompanhar o desfile, celebram a novidade. “Eu já tinha planejado vir. No sábado, fui para outros blocos, mas hoje quis vir para o Bafo da Onça, que eu sei que é um bloco muito bom. Essa parceria é perfeita. A expectativa é que seja perfeito”, disse.
O desfile de 70 anos reafirma a vocação do Bafo da Onça de ocupar o espaço público como território de encontro, memória e festa, mantendo-se firme no circuito oficial do carnaval.
Com informações da Agência Brasil





