
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), iniciou nesta quarta-feira (11/02) uma pesquisa para aprofundar o conhecimento sobre como a indústria brasileira utiliza e compartilha dados. O levantamento visa coletar informações de empresas de todo o país para embasar a criação da Política Nacional de Economia de Dados.
A pesquisa busca identificar os principais obstáculos e vantagens percebidas pelas empresas no uso e na partilha de dados. Realizada com o apoio do Núcleo de Engenharia Organizacional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (NEO/UFRGS), a consulta estará aberta para participação até 11 de março e também proporá um modelo de negócio (business case).
Dados do World Economic Forum indicam que mais de 70% dos dados de produção gerados nas indústrias não são aproveitados. Com a coleta de demandas reais do setor, a intenção é que a Política Nacional de Economia de Dados seja robusta, alinhada à realidade brasileira e capaz de orientar a implementação de espaços de dados (data spaces) no país.
Protagonismo e segurança dos dados empresariais
O estudo enfatizará o protagonismo das empresas sobre seus próprios ativos de dados. O objetivo é garantir que o uso e o compartilhamento de informações sejam sempre decisões estratégicas, seguras e em conformidade com as leis de proteção de dados vigentes.
Isabela Gaya, gerente da Unidade de Difusão de Tecnologias da ABDI, ressalta que uma política nacional construída com base em contribuições do setor produtivo pode impulsionar novos modelos de negócios. “O objetivo é fomentar um ecossistema seguro e confiável para o compartilhamento de dados, potencializando a criação de valor estratégico e impulsionando novos modelos de negócio na economia digital brasileira”, explicou.
Os resultados desta pesquisa se somarão ao conhecimento prévio da ABDI, adquirido em iniciativas como o relatório de recomendações para a implementação de Data Spaces Industriais no Brasil, elaborado em conjunto com a ABINC e a UFRGS. A ABDI tem desenvolvido trabalhos nessa área desde 2023, com mais informações disponíveis em https://www.abdi.com.br/industria40/.
Outro programa em andamento é o Agro Data Space, que avalia desafios e oportunidades para o desenvolvimento de ambientes de dados no agronegócio, visando uma análise mais sistêmica da cadeia produtiva.
Dados como motor da economia
Cristiane Rauen, diretora do Departamento de Transformação Digital e Inovação do MDIC, destacou que os dados são um novo motor econômico, essenciais para o desenvolvimento produtivo e a criação de novos produtos, processos, serviços e mercados. “Nesse sentido, a Política Nacional de Economia de Dados tem como objetivo promover e viabilizar o uso de dados como um ativo econômico estratégico, capaz de impulsionar a geração de novos produtos, processos, serviços e mercados”, afirmou.
“Para que essa política seja pautada em evidências e problemas relevantes da sociedade, é necessário a mobilização e a escuta dos agentes, o que consolida a importância dessa pesquisa.”
Alejandro G. Frank, diretor do NEO/UFRGS, reforçou que alinhar a economia de dados à realidade é um objetivo crucial da pesquisa. “Existe um grande potencial de geração de valor através da utilização e análise de dados, mas muitas vezes os dados são subutilizados no âmbito produtivo por falta de clareza sobre aspectos legais e de segurança”, observou. “Ao participar desta pesquisa, as organizações contribuem para identificar as condições necessárias para que a economia de dados se desenvolva de forma alinhada à realidade do setor produtivo nacional.”
Alinhamento com a Nova Indústria Brasil e ODS
A Economia de Dados é um pilar central da transformação digital global, impulsionando inovação, competitividade e produtividade. A iniciativa se alinha à Missão 4 da Nova Indústria Brasil, focada na transformação digital da indústria e no aumento da produtividade e digitalização das empresas.
Adicionalmente, o projeto conecta-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU. Destacam-se o ODS 9 (Indústria, Inovação e Infraestrutura), ao promover a modernização industrial e o uso de tecnologias digitais; o ODS 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes), ao estimular a governança e segurança da informação; e o ODS 17 (Parcerias para os Objetivos), ao fortalecer a cooperação entre governo, empresas e instituições de pesquisa.
Com informações da assessoria





