Início Cultura Orquestra da USP abre pré-temporada 2026 com repertório que celebra diversidade musical

Orquestra da USP abre pré-temporada 2026 com repertório que celebra diversidade musical


A Orquestra de Câmara da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (OCAM da ECA-USP) inicia sua pré-temporada de concertos de 2026 nesta terça-feira (10), estendendo-se até quinta-feira, com apresentações gratuitas no Instituto Tomie Ohtake e no Centro Cultural Camargo Guarnieri. O repertório promete um mergulho em sons contemporâneos, clássicos e populares, divididos em três programas distintos: Cordas, Sopros e Percussão, e Ensemble.


Sopros e percussão com vozes potentes e homenagens

Sob a regência de André Bachur, o programa de sopros e percussão contará com a participação especial da multi-artista Jéssica Gaspar. Ela apresentará a canção “Deus é uma Mulher Preta”, de sua autoria, que serviu de enredo para o Bloco Ókánbí no Carnaval de Salvador em 2020. A música, marcada pela afro-brasileiridade, aborda as vivências e dores da população negra, e Gaspar explica que a obra ressignifica a imagem de Cláudia Ferreira da Silva, vítima de violência policial.


Outro destaque deste programa é a estreia da obra “Bruxo Campeão”, composta por Carlos dos Santos, ex-aluno da OCAM e professor na Universidade Federal da Paraíba, em homenagem ao ícone da música popular brasileira e do gênero swing, Hermeto Pascoal.

Cordas exploram clássicos do século XX e Debussy

O grupo de cordas, sob a regência de Claudia Feres, apresentará obras de renomados compositores do século XX, como Aaron Copland e Benjamin Britten. A harpista russa Liúba Klevtsova fará a orquestração destas peças, com um foco especial na execução de “Danças Sacra e Profana para Harpa e Cordas” (1904), de Claude Debussy.

Ensemble celebra a diversidade e o legado de Olivier Toni

O programa “Mosaico Contemporâneo”, apresentado pelo grupo Ensemble e regido por Ricardo Bologna, explorará composições diversificadas. A orquestra homenageará Olivier Toni, compositor e fundador da OCAM, com o “Improviso para Violoncelo Solo” (2010). O repertório também inclui peças de origem japonesa, como “Kojo No Tsuki” (A Lua Sobre o Castelo em Ruínas) (1901) e “Três Baladas para Hida” (1977), com arranjo de Yuri Behr.

Expansão do repertório e debates sobre a música brasileira

A pré-temporada da OCAM reflete uma expansão significativa do repertório musical, indo além dos clássicos eruditos tradicionais. O maestro Ricardo Bologna destaca que, há algumas décadas, o espaço para sons de origem latina, africana e asiática era limitado nas pesquisas acadêmicas de música no Brasil, que se concentravam majoritariamente em produções europeias e norte-americanas. Atualmente, o cenário é diferente, com maior produção de artigos, livros e congressos dedicados à diversidade musical brasileira, incluindo gêneros folclóricos e populares.

Jéssica Gaspar complementa que a inserção de mestres nessas linhas de pesquisa nas universidades tem impulsionado essa inovação. No entanto, ela critica a manutenção da música não europeia em um “espaço étnico” nas graduações, que ainda priorizam o estudo dos clássicos, argumentando que essa abordagem pode engessar a compreensão da riqueza musical e a necessidade de repensar bibliografias e currículos.

Com informações da Agência Brasil

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