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Diretor jurídico do BRB renuncia após polêmica com Banco Master


Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo renunciou ao cargo de diretor Jurídico do Banco de Brasília (BRB). A informação foi divulgada pelo banco em fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite de segunda-feira (9). A saída do executivo será oficializada no próximo sábado (14).


O BRB reforçou seu compromisso com ética, responsabilidade e transparência, mas não detalhou os motivos da renúncia nem informou quem o sucederá na Diretoria Jurídica.


A renúncia acontece em um momento delicado para o banco, que enfrenta uma crise após o envolvimento com o Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025. Jacques Veloso havia sido nomeado diretor Jurídico em agosto de 2024, indicado pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.

Investigações e operações financeiras

Investigações apontam operações entre o BRB e o Banco Master consideradas irregulares. Entre 2023 e 2024, o BRB adquiriu duas carteiras de crédito do Master totalizando R$ 12,2 bilhões. Segundo apurações, esses ativos estariam superfaturados ou seriam inexistentes.

Em 2025, o BRB chegou a anunciar a intenção de adquirir o controle do Banco Master, operação que foi aprovada pelo Cade, mas rejeitada pelo Banco Central. Pouco tempo depois, o Master foi liquidado.

Um depoimento prestado à Polícia Federal pelo diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, estima que as operações com o Banco Master tenham causado um rombo de R$ 5 bilhões no balanço do BRB.

Parecer e vídeo interno

A saída de Veloso ocorre após reportagem do site Metrópoles revelar um parecer jurídico assinado por ele, no qual alertava sobre riscos nas operações com o Banco Master. No documento, o diretor jurídico destacou a importância de observar índices de liquidez e de Basileia.

Contudo, Veloso também gravou um vídeo interno defendendo a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, afirmando que todos os cuidados jurídicos estavam sendo tomados. O vídeo buscava ressaltar supostas “vantagens técnicas” da aquisição.

Plano de capital e recomposição

Para lidar com a crise de credibilidade e reforçar a liquidez, o BRB apresentou ao Banco Central um plano de capital com medidas para recompor seu patrimônio em até 180 dias. Estimativas do BC indicam que o aporte mínimo necessário pode chegar a R$ 5 bilhões.

O governo do Distrito Federal, acionista controlador do BRB, acompanha a situação de perto. O plano foi entregue pessoalmente pelo presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, ao Banco Central.

Também nesta segunda-feira, o BRB anunciou a posse de Ana Paula Teixeira como nova diretora executiva de Controles e Riscos, buscando fortalecer a governança corporativa e a gestão de riscos da instituição.

Com informações da Agência Brasil

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