A apreensão do navio-tanque Marinera pelos Estados Unidos reacendeu o debate sobre sanções internacionais e a navegação em águas disputadas. Com impressionantes 333 metros de comprimento e capacidade para transportar até 318 mil toneladas de petróleo, o Marinera, anteriormente conhecido como Bella 1, se enquadra na categoria VLCC (Very Large Crude Carrier), os gigantescos petroleiros que dominam o comércio global de óleo cru. Sua história recente é marcada por mudanças de bandeira e nome, em uma tentativa de escapar de sanções impostas pelos EUA, que acusam o navio de transportar petróleo venezuelano para aliados do regime, como Rússia, China e Irã.
Um Gigante com Histórico Complexo
Construído em 2002, o navio já ostentou diversas identidades ao longo de sua vida operacional, uma prática comum no setor marítimo para flexibilizar contratos e contornar restrições. Antes de se tornar o Marinera sob bandeira russa, ele operou sob os nomes Mtov, Overseas Mulan, Xiao Zhu Shan e, mais recentemente, Bella 1, registrado na Guiana. A mudança para a bandeira russa ocorreu pouco antes do Natal, concedida por uma licença temporária do Ministério dos Transportes da Rússia.
Tensões Diplomáticas e Militares
A Rússia repudiou veementemente a apreensão, classificando-a como uma violação do direito marítimo e alegando a ausência de jurisdição para o uso da força por parte dos EUA. Moscou também exigiu tratamento digno para a tripulação. Por outro lado, a Casa Branca defende a legalidade da operação, citando a acusação de navegação sob bandeira falsa. O Reino Unido manifestou apoio à ação americana, fornecendo suporte operacional e de vigilância, e descreveu o petroleiro como tendo um “histórico nefasto” ligado a redes de evasão de sanções russas e iranianas.
A perseguição ao navio, que teria iniciado em dezembro quando estava próximo à Venezuela, culminou em uma operação complexa no Oceano Atlântico. Relatos indicam que a Rússia deslocou um submarino e outras embarcações para escoltar o petroleiro, intensificando as tensões entre as duas potências. Os EUA, por sua vez, reafirmaram que o bloqueio a petroleiros venezuelanos permanece em vigor globalmente, em linha com a política de pressão econômica imposta pela administração Trump.
O Petroleiro Vazio e o Contexto das Sanções
Curiosamente, dados de rastreamento marítimo analisados pela Associated Press indicaram que o reservatório de petróleo do Marinera estava vazio no momento da apreensão. A interceptação inicial ocorreu em 16 de dezembro, mas a tripulação teria resistido e fugido em direção ao Atlântico, dando início a uma perseguição que durou semanas. Os EUA acusam o navio de transportar petróleo venezuelano para países aliados, como forma de burlar as sanções americanas. A Casa Branca argumenta que a abordagem de um navio com bandeira falsa não constitui violação do direito internacional.




