Projeto disponibiliza próteses faciais para vítimas de câncer e acidentes em Manaus

Uma parceria da Prefeitura de Manaus vem ajudando a transformar a vida de pessoas que sofrem com mutilações faciais decorrentes do câncer de boca, acidentes ou outros agravos. A iniciativa, desenvolvida mediante convênio entre a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), oferta próteses para reabilitação dos pacientes, permitindo a eles superar as dificuldades advindas da mutilação, retomar a rotina e ter maior qualidade de vida.

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Implementado em 2014, o projeto de reabilitação oferta próteses bucomaxilofaciais para recuperar perdas ou malformações na região da boca, maxilares e face. O atendimento aos pacientes e confecção das peças ocorrem no Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) da UEA, no bairro Adrianópolis, zona Centro-Sul da capital.

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A cirurgiã-dentista da Semsa e professora da UEA, Brigitte Nichthauser, que coordena o projeto, relata que a maioria dos usuários do serviço tem perda de partes de estruturas bucais, como palato ou “céu” da boca, arcada dentária e gengiva, mas há também casos de danos na face, nariz e olhos, que dificultam alimentação, deglutição e fala, e afetam muito a saúde emocional e a autoestima. As peças protéticas, ela aponta, permitem restabelecer as funções e a estética das estruturas perdidas, resgatando a qualidade de vida e a dignidade dos pacientes.

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“Isso tem um impacto social imenso. Com uma prótese intrabucal, a pessoa imediatamente recupera 90% da fala normal e começa a comer melhor. Pacientes que estavam isolados do convívio social puderam voltar a conviver e ter refeições com a família, puderam voltar a andar na rua ou ir à missa”, relata a coordenadora.

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O serviço de reabilitação da Semsa e UEA tem atendimento gratuito e oferta próteses faciais sem custo aos pacientes, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). “Recebemos usuários encaminhados de toda a rede pública e particular. Mesmo se ele vier sem encaminhamento, vamos atender e fazer uma consulta de avaliação”, informa Brigitte.

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Atendimentos

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Brigitte Nichthauser, que é doutora em Prótese Bucomaxilofacial, especialidade odontológica reconhecida por lei, conta que o serviço de reabilitação teve um início tímido, mantendo uma média de 40 usuários atendidos nos dois primeiros anos, mas logo se tornou mais conhecido e passou a atender em torno de cem pacientes anuais. “De 2014 até hoje, funcionamos ininterruptamente, mesmo durante a pandemia”.

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Entre os pacientes recebidos no serviço está o professor José Carlos da Silva, de 58 anos, que perdeu parte do palato após o tratamento de um tumor, há três anos. A mutilação lhe dificultou comer, beber e falar, e levou José a abandonar as aulas de informática e geografia no projeto social de seu bairro. No serviço da Semsa e UEA, onde começou a ser atendido neste ano, ele encontrou a esperança de uma recuperação.

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“Estou muito feliz. Essa prótese significa para mim mais qualidade de vida, voltar à minha rotina. Com ela posso explicar assuntos, dar aulas, vai me ajudar a falar e me alimentar melhor. E, aqui, há atendimento humanizado, um espaço bem estruturado e profissionais sensacionais”, declarou ele, satisfeito, enquanto testava uma prótese provisória.

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O técnico de refrigeração Tarcísio de Souza, 42, vivencia a mesma situação de José, tendo perdido uma área do palato após se submeter a quimioterapia e radioterapia para tratar um tumor. Hoje, faz tratamento bucal, necessário para a confecção da prótese, e elogia o atendimento no serviço da Semsa e UEA.

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“A doutora Brigitte é excelente. Estou bem feliz e com uma expectativa boa de voltar ao normal. Eu pregava na igreja, mas não consigo mais pela dificuldade na voz. Também tenho dificuldade para engolir e, com a prótese, a doutora disse que vou conseguir”, relatou.

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A autônoma Niceia Pinto da Silva, 60, recebeu uma prótese ocular do projeto de reabilitação em 2019, após perder o olho direito durante o tratamento de uma doença na vista. Neste ano, ela voltou ao serviço, devido à necessidade de ajustes, e deverá receber uma nova prótese.

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“Pouca gente sabe que uso prótese, pois a doutora Brigitte faz um trabalho excelente. Sou grata ao projeto, aqui somos muito bem acolhidos e atendidos, e fico muito feliz”, disse.

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Avaliação e confecção

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A rotina de atendimento no serviço de reabilitação de mutilados inicia somente após o fim do tratamento clínico ou oncológico do paciente, e inclui, ainda, tratamento odontológico completo, antes da confecção da prótese. “Em alguns casos, ainda durante o tratamento oncológico, fazemos próteses transitórias, de urgência, para a pessoa poder se alimentar melhor”, explicou Brigitte.

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A confecção das peças, conforme a coordenadora, requer diversas sessões. De início, são feitos moldes de gesso das regiões afetadas do paciente, que servirão de base para os profissionais esculpirem as peças, de forma manual, para imitar as estruturas ausentes. A peça esculpida é testada pelo paciente, para ajustes e adaptações, e recebe acabamento de cor e maquiagem, para coincidir com o rosto da pessoa.

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Quando ela envolve o olho e partes do rosto, são próteses conjugadas, com o olho feito em acrílico e a pele em silicone”, mencionou Brigitte, acrescentando que a colocação da peça envolve ainda mecanismos de retenção, para assegurar que a prótese permaneça fixa no lugar.

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O tempo necessário para produção das próteses é contado não em semanas ou meses, mas em consultas. “Para uma prótese ocular, por exemplo, gasto em média de seis a oito consultas, pois ela é toda artística, com a íris pintada à mão. Uma prótese óculo palpebral, com olho e pele, requer mais tempo, pode levar dez consultas”.

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‘Fazer a diferença’

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Ao lado de Brigitte, colocados à disposição pela Semsa para atuar no CEO UEA, atuam no serviço de reabilitação três professores da UEA, especialistas em prótese, Cristiane Maria Leal Braga, Francisco Pantoja Braga e Jéssica Mie Ferreira Koyama Takahashi, além de bolsistas e alunos voluntários da UEA e outras instituições de ensino superior. Outros dentistas também disponibilizados pela Semsa atuam nos tratamentos clínicos necessários antes da instalação das próteses.

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Em comum, os integrantes do projeto têm como ideais o cuidado com os pacientes e o amor ao serviço. “Toda a equipe conhece o impacto social e o impacto desse trabalho na vida das pessoas. Todos falam que estar aqui é a melhor coisa, podendo fazer a diferença na vida das pessoas”, ressaltou Brigitte.

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O resultado positivo na vida dos pacientes reabilitados como fruto do trabalho é fonte de emoção para os profissionais. Brigitte relatou o caso da mãe de uma colega cirurgiã-dentista da Semsa, que precisou do serviço de reabilitação. A colega já foi gestora do CEO UEA e foi justamente quem deu a Brigitte a oportunidade de atuar no centro odontológico.

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“Uma das maiores emoções que tive foi quando ela me mandou a foto da mãe voltando a se alimentar. Nesse dia eu pude retribuir à pessoa que me deu chance para estar nesse projeto e ter a emoção de ver que valeu a pena. É emocionante para mim”, diz, comovida.

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A professora de Prótese Dentária na UEA e colega de Brigitte no CEO, Cristiane Leal, destacou a relevância social do serviço de reabilitação. “É uma mudança de vida o paciente poder fazer algo tão natural como mastigar e engolir, poder falar e ser entendido. Depois de sofrer com um diagnóstico, com as consequências da cirurgia, as próteses permitem a esses pacientes ter uma vida quase normal”, avaliou.

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Linha de cuidado

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O serviço de reabilitação de mutilados da Semsa e UEA se integra às ações da saúde municipal para a implantação da linha de cuidado do câncer de boca, conforme assinalou a gerente de Saúde Bucal da Semsa, cirurgiã-dentista Cláudia Carvalho. A iniciativa iniciou em 2023, com a oferta de biópsias de lesões bucais suspeitas nas unidades básicas de saúde.

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“Passamos de 30 biópsias realizadas, em 2022, para mais de 260, no ano passado, um aumento de mais de 800% na oferta desse serviço. Hoje, os usuários que passam por tratamento cirúrgico do câncer de boca e ficam com mutilações são direcionados para reabilitação com próteses bucomaxilofaciais”, pontuou a gerente.

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Para a oferta da biópsia na rede básica, a Semsa promoveu cursos de capacitação, qualificando profissionais de saúde bucal para a realização do exame. Em três anos, o total de servidores habilitados passou de seis para 47, atuando de forma ampliada e descentralizada, nos quatro CEOs da Semsa, Norte, Leste, Sul e Oeste, nas Unidades de Saúde da Família (USFs), inclusive na zona rural, e em unidades fluviais.

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Com informações da assessoria

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