Prefeitura de Manaus decreta luto oficial pela morte de Zezinho Corrêa

O prefeito de Manaus, David Almeida, declarou luto oficial de três dias pela morte do cantor amazonense Zezinho Corrêa, ocorrida na manhã deste sábado, 6. O decreto de luto, uma homenagem e reconhecimento à expressiva e incansável difusão do artista à cultura amazonense, foi publicado em edição extra do Diário Oficial do Município (DOM) na noite de hoje.

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Zezinho Corrêa morreu aos 69 anos em decorrência do agravamento da Covid-19. O corpo do cantor foi velado no balneário do Sesc, zona Oeste, em cerimônia restrita a amigos e familiares. Zezinho foi sepultado no cemitério São João Batista, zona Centro-Sul, no final da tarde.

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Durante o período referido no decreto, a bandeira nacional e demais pavilhões ficarão hasteados a meio mastro na sede dos órgãos e entidades componentes da administração pública municipal.

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Homenagens

Durante todo o sábado, familiares, amigos e fãs, brasileiros e estrangeiros, prestaram homenagens nas redes sociais a Zezinho Corrêa, ícone da música amazonense. O presidente do Conselho Municipal de Cultura (Concultura), o escritor e poeta Tenório Telles, dedicou uma poesia ao amigo intitulada “O tic-tic-tac das araras” em alusão ao hit “Tic Tic Tac”, eternizada e consagrada na voz do cantor à frente do grupo Carrapicho.

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O tic-tic-tac das araras

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Tenório Telles

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Querido Zezinho,

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Hoje de manhã acordei com a cantoria

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de um casal de araras:

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Ao abrir a janela – encenavam

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seu canto desajeitado e belo.

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Estavam num açaizeiro

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comendo os frutos: tic-tic-tac...

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Notei que o dia aos poucos

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ia se colorindo de azul, vermelho e amarelo.

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Achei tudo surpreendente:

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Elas nunca tinham aparecido antes.

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Logo depois soube que partiste.

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Como acredito no invisível

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e no mistério das coisas,

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pensei que as araras estavam

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cantando e colorindo a manhã

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para te celebrar – como antigamente

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se celebravam os artistas, os poetas e os heróis.

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Também pensei que aquelas araras podiam

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estar levando teu Ser

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[esse grão de eternidade

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com que nascemos]

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para o paraíso dos bons

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dos que encantam a vida

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e a ajudam a ser melhor.

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Com teu canto, Zé, levaste

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pra tantos lugares

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pra terras distantes

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o nosso chão e a nossa gente.

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E agora – Zé – as araras se foram:

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Só vieram te saudar...

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Com o choro preso na garganta,

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não consigo entender por que

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essas coisas acontecem.

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Nossa cidade vive enlutada

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com tantas partidas,

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com a dor de pais, mães, filhos

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– tantas amizades e amores quebrados...

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: Manaus se tornou uma cidade sitiada pela dor,

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os cemitérios não param de crescer...

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E agora – Zé – essa nuvem de suplício

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te levou também de nós:

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mais que a dor da perda,

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daqui pra frente – a dor maior

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será viver sem o teu canto,

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sem a tua alegria

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e sem a bondade dos teus gestos.

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Zé,

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que as araras te acompanhem

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e chegues bem ao lugar onde

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os bons descansam da lida do mundo

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– e o grão do teu ser

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floresça belo e luminoso

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e de lá sigas cantando

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e encantando nossas vidas.

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Com informações da assessoria 

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