A Anistia Internacional criticou o recente julgamento que absolveu policiais militares envolvidos na morte de Thiago Menezes, um jovem negro de 17 anos, em 2019, na comunidade Cidade de Deus, Rio de Janeiro. Segundo a organização, o caso é um retrato da realidade que afeta desproporcionalmente crianças e jovens negros no país, em um contexto de políticas de segurança pública marcadas por "práticas violentas e racistas".
Thiago Menezes estava na garupa de uma moto, pilotada por Marcos Vinicius de Sousa Queiroz, quando ambos foram atingidos por disparos de fuzil. De acordo com o depoimento de Marcos Vinicius no julgamento, nenhum deles estava armado e não tinham relação com o tráfico de drogas. Os policiais, que estavam em um carro particular descaracterizado, teriam saído do veículo e efetuado os tiros. Thiago foi atingido nas pernas e no tronco, enquanto Marcos Vinicius sobreviveu com um tiro na mão.
O adolescente, que sonhava em ser jogador de futebol, não possuía antecedentes criminais e sua frequência escolar era superior a 90%. À época do crime, amigos e familiares realizaram manifestações em homenagem a Thiago.
A Anistia Internacional enfatiza a urgência em interromper a lógica de militarização e a narrativa de "guerra às drogas", além de garantir a responsabilização de agentes do Estado envolvidos em operações letais. A organização de direitos humanos também ampliou o debate sobre a violência policial, reforçando seu compromisso com movimentos de mães de vítimas da violência do Estado em todo o país.
"A dor de ver a trajetória de seus filhos atacada é uma constante para mulheres negras moradoras de territórios vulnerabilizados pela violência policial e mães de vítimas da violência do Estado", declarou a ONG em nota.
O julgamento, que durou dois dias e foi marcado por debates acalorados, viu os policiais admitirem ter disparado contra os jovens. No entanto, eles alegaram que os jovens teriam atirado primeiro e que a ação foi uma reação. Os policiais também respondem a outro processo por fraude processual.
Com informações da Agência Brasil
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