‘Não tem corpo que aguente’, diz Babá que era agredida pela patroa e ficava sem comer

A babá Raiana Ribeiro, que pulou do terceiro andar de um prédio onde trabalhava para fugir de agressões da patroa Melina França, em Salvador, disse nesta sexta-feira (3) que desmaiou após ser atacada porque, além da violência, ficava sem comer no trabalho. Imagens do interior do imóvel mostram a empregada desmaiando após uma série de pancadas. Com informações do G1. 

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“Não tem corpo que aguente ficar sem alimentação, sem beber e ainda recebendo pancada. Eu lembro que minha cabeça começou a rodar e eu ficava sem conseguir respirar direito”, disse a babá.

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O desmaio aconteceu por volta das 6h30 do dia em que ela pulou da janela para fugir do imóvel. Depois de uma sequência de tapas, socos, chutes e puxões de cabelos, Raiana levanta e se aproxima de uma porta de vidro para respirar. Ela se desequilibra e cai desacordada. Durante a queda, a babá chega a se chocar contra uma das filhas de Melina, que também cai no chão.

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Raiana disse que a decisão de pular a janela foi um ato de desespero. Ao saber das imagens registradas pelas câmeras dentro do apartamento, ela disse que é importante para serem usadas no processo contra a ex-patroa, mas não consegue assistir o vídeo das agressões.

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“É um momento difícil porque mesmo lá, dentro vivendo tudo isso em desespero, a gente só queria sair dali. E vendo as imagens, é mais difícil. É muito triste passar pelo que eu passei. Nem eu consigo ver toda hora. Muito importante [as imagens serem usadas no processo], mas eu prefiro não estar vendo as imagens”, comentou.

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É possível ver uma terceira mulher no apartamento durante as agressões. Ela presencia toda a ação, mas em nenhum momento tenta impedir que Melina França prosseguisse desferindo os tapas e socos contra Raiana.

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A babá disse que a mulher chegou no imóvel na terça-feira, 24 de agosto, um dia antes dela ter pulado a janela do apartamento. Raiana, no entanto, afirma que ela não era outra empregada, e não sabe afirmar qual a relação entre as duas.

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“Eu não sei quem é essa mulher. Ela entrou [na casa] na terça-feira. Mas o que ela é de Melina, eu não sei. Ela não é empregada doméstica e eu não sei dizer se era parente. Ela não impede as agressões, não pede ajuda, não faz nada.

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A defesa da empregada disse que os vídeos serão utilizados para endossar as acusações contra Melina e poderão provar os crimes que aconteceram no apartamento. Segundo o advogado Bruno Oliveira, vários crimes poderão ser investigados com base nas imagens registradas.

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“Diante daquelas imagens, que são preliminares (ainda têm muitas imagens a serem analisadas, tendo em vista que ela começou a ser agredida na terça-feira pela manhã), crime de tortura, cárcere privado e o Ministério Público do Trabalho está apurando para um inquérito civil referente ao trabalho análogo ao escravo", comentou.

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