A atual guerra no Irã e o consequente choque do petróleo, com o fechamento do Estreito de Ormuz, evidenciam a insegurança energética brasileira. Segundo José Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, o Brasil interrompeu projetos de ampliação de refino e, somado à pressão de multinacionais, fica exposto às turbulências do mercado global.
Gabrielli, que lançou o livro "Economia do Hidrogênio: paradigma energético do futuro", destaca que os Estados Unidos buscam interferir no mercado mundial de petróleo. A política agressiva de Donald Trump visava, segundo ele, o controle do mercado, com ações na Venezuela e no Irã.
A guerra, na visão do ex-presidente, alterará a geografia do comércio de petróleo, com maior participação de países como Brasil, Canadá e Guiana no fornecimento para China e Índia. No entanto, o Brasil, sem capacidade de refino suficiente para a demanda interna, especialmente de diesel, torna-se vulnerável.
O Brasil enfrenta um problema crônico de segurança energética, com dependência de importação de diesel, gasolina e gás de cozinha. A capacidade de refino do país não atende à demanda interna, especialmente para o diesel, que representa entre 20% e 30% do mercado nacional.
A Operação Lava Jato inibiu a construção de novas refinarias, e a Petrobras teve planos de expansão frustrados. A oposição histórica de multinacionais do setor à ampliação do refino brasileiro é apontada como um fator contribuinte para essa fragilidade.
A autorização de centenas de importadores de combustíveis a partir do governo Temer abriu espaço para um mercado que, segundo Gabrielli, opera de forma especulativa. Esses importadores só atuam quando o preço internacional é mais vantajoso que o nacional, pressionando os preços domésticos.
Sobre a transição energética, Gabrielli afirma que não é possível prescindir dos combustíveis fósseis no curto prazo. O novo choque do petróleo, ao elevar os preços, pode, paradoxalmente, impulsionar a transição energética no médio e longo prazo, mudando o comportamento do mercado e incentivando a busca por alternativas.
O hidrogênio verde é visto como uma solução promissora, mas sua viabilização depende da criação de novos mercados e da descarbonização de setores como a indústria siderúrgica, de cimento, transporte pesado e aviação. A produção precisa estar próxima ao consumo devido à dificuldade de transporte da molécula.
Embora algumas aplicações já sejam viáveis, a expectativa é que o hidrogênio verde domine o mercado de combustíveis por volta de 2035. Para que isso ocorra, as decisões estratégicas precisam ser tomadas imediatamente.
Com informações da Agência Brasil
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