Embrapa aponta cigarrinha-do-milho como responsável por prejuízo de R$ 33,6 bilhões por ano

palavra-chave-alvo: estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aponta que a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) provoca prejuízo anual estimado em US$ 6,5 bilhões, o equivalente a R$ 33,6 bilhões, com base no câmbio atual.

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dados do levantamento

O estudo, publicado na edição de abril da revista científica internacional Crop Protection, compilou dados desde 1976 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e avaliou 34 municípios representativos das principais regiões produtoras do país.

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Nas quatro safras entre 2020 e 2024, as perdas somaram US$ 25,8 bilhões (mais de R$ 134,16 bilhões). A Embrapa calcula uma perda média de produção de 22,7% no período, equivalente a cerca de 31,8 milhões de toneladas de milho por ano — cerca de 2 bilhões de sacas de 60 quilos deixaram de ser produzidas.

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a praga e a doença

A cigarrinha-do-milho adquire os patógenos causadores dos enfezamentos do milho ao se alimentar em plantas infectadas e os transmite a plantas sadias. A doença se manifesta nas formas pálido e vermelho, altera a coloração e provoca estrias, além de reduzir a produção de grãos.

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Segundo a Embrapa, a praga é “o maior desafio sanitário do sistema produtivo de milho no Brasil das últimas décadas”. O pesquisador da divisão Cerrados da Embrapa, Charles Oliveira, ressalta que “em cerca de 80% das localidades avaliadas, a cigarrinha ou os enfezamentos foram apontados como fator central para a queda de produtividade”.

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impactos econômicos

Além da perda direta de produção, os custos com aplicação de inseticidas para controlar o Dalbulus maidis aumentaram 19% no período, superando US$ 9 (R$ 46) por hectare.

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O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho. A Conab estima para a safra 2025/2026 uma produção de 138,4 milhões de toneladas e um valor de produção de cerca de US$ 30 bilhões (quase R$ 155 bilhões). Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o assessor técnico Tiago Pereira afirma que a praga representa “perdas que impactam diretamente a renda do produtor, a estabilidade produtiva e a competitividade do país”.

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A pesquisadora da Epagri, Maria Cristina Canale, observa que “Como o milho é base para a produção de proteína animal (aves, suínos e leite) e biocombustíveis, as quebras de safra elevam os preços para o consumidor e afetam a balança comercial brasileira”.

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mitigação e recomendações

A Embrapa lista medidas que podem reduzir o alcance da praga: eliminação do milho tiguera para quebrar o ciclo do vetor e do patógeno; sincronização do plantio para evitar janelas de semeadura longas; uso de cultivares resistentes ou tolerantes; manejo inicial com aplicação de controle químico e biológico nos estádios iniciais; e monitoramento coordenado entre produtores.

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Há tentativas de controle biológico com fungos entomopatogênicos, já que algumas populações da cigarrinha-do-milho apresentam resistência a certos grupos de inseticidas. A Embrapa também disponibiliza uma cartilha online para orientar agricultores sobre medidas de manejo.

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Com informações da Agência Brasil

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