O prefeito de Cubatão, César Nascimento (PSD), anunciou que buscará apoio do governo federal para reverter o cenário de fechamento de fábricas na cidade. A iniciativa surge após o encerramento das atividades de duas importantes empresas que marcaram a história industrial do município: a petroquímica Unigel e a Yara Brasil Fertilizantes. A viagem a Brasília, acompanhado por representantes políticos, empresariais e sindicais da Baixada Santista, tem como objetivo principal sensibilizar a União sobre a necessidade de ajustes na política tarifária, especialmente no que se refere à importação de fertilizantes, e seus impactos na indústria nacional.
Cubatão, que já foi um dos maiores polos industriais do Brasil, enfrenta um processo de desindustrialização que se arrasta por décadas, agravado pela saída de empresas tradicionais. O prefeito pretende discutir com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, os reflexos do fechamento dessas unidades produtivas. Nascimento defende a adoção de medidas de defesa comercial e a melhoria das condições de financiamento para a atividade produtiva, argumentando que a perda de protagonismo de um polo como Cubatão enfraquece a indústria nacional como um todo.
Outra frente de atuação do município é a solicitação de celeridade na conclusão de um processo administrativo que apura a suposta prática de dumping nas exportações chinesas de produtos laminados de ferro ou aço para o Brasil. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) já emitiu um parecer preliminar constatando a prática, mas a investigação para definir os prejuízos à siderurgia brasileira segue em andamento. Paralelamente, o setor de fertilizantes, essencial para o agronegócio, tem visto a produção nacional diminuir drasticamente, aumentando a dependência de importações. A Unigel, por exemplo, atribuiu o fechamento de sua fábrica em Cubatão a um cenário de baixa na indústria química global, com forte sobreoferta de commodities e expansão da capacidade produtiva internacional. A empresa, que está em recuperação judicial desde 2025, busca renegociar dívidas superiores a R$ 5 bilhões.
O fechamento de fábricas em Cubatão reascende o debate sobre a tributação e a competitividade da indústria nacional. Herbert Passos Filho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas e de Fertilizantes da Baixada Santista (Sindquim), lamenta a perda de empregos e a redução do parque industrial, que já empregou cerca de 12 mil trabalhadores no auge do setor petroquímico e hoje conta com aproximadamente 3 mil. Ele aponta que a redução da carga tributária sobre fertilizantes, embora benéfica para o agronegócio, desestimulou a produção nacional. Recentemente, o governo federal sancionou a Lei nº 15.294, instituindo o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq), com incentivos fiscais significativos, e retomou o Regime Especial da Indústria Química (Reiq), buscando fortalecer o setor. O vice-presidente Geraldo Alckmin reconhece as dificuldades de competitividade da indústria petroquímica nacional e reafirma o compromisso do governo em defender o setor de práticas anticoncorrenciais, buscando um livre comércio com regras claras, alinhado às diretrizes da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Com informações da Agência Brasil.
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