O Instituto Nacional de Câncer (Inca) lançou a cartilha Saúde com Axé: mulheres negras e prevenção do câncer, um material inovador disponível online que busca unir o conhecimento tradicional de terreiros com as orientações médicas para a detecção e prevenção de diversos tipos de cânceres que afetam o público feminino negro. A publicação destaca como o racismo e o racismo religioso podem criar barreiras no acesso ao diagnóstico e tratamento, além de oferecer informações sobre hábitos saudáveis e exames preventivos.
Com uma linguagem acessível e ilustrações que celebram a cultura afro-brasileira, a cartilha utiliza a figura das yabás, as orixás femininas, como inspiração para o autocuidado e a busca por uma vida plena. O material aborda a importância da amamentação na prevenção do câncer de mama, os sinais de alerta para o câncer de intestino e a transmissão do câncer de colo de útero. A publicação foi elaborada em parceria com mulheres de casas de candomblé do Rio de Janeiro, como resultado da pesquisa Promoção da Saúde e Prevenção do Câncer em Mulheres Negras.
A cartilha evidencia como o racismo estrutural pode aumentar o risco de adoecer e dificultar o acesso aos serviços de saúde, muitas vezes baseado em estereótipos como a maior tolerância à dor por parte das mulheres negras. Iyá Katiusca de Yemanjá, uma das participantes da redação, relata experiências de discriminação em atendimentos médicos, como a recusa em chamar as praticantes de religiões afro pelo nome espiritual. Ela ressalta o papel histórico dos terreiros na promoção da saúde por meio de banhos de ervas, chás e um cuidado integral com o corpo.
Mãe Nilce de Iansã, coordenadora-geral da Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde (Renafro), complementa a discussão ao abordar a discriminação em relação à indumentária religiosa em ambientes hospitalares, como o uso de fios de conta, que possuem significado de proteção. Ela enfatiza que o racismo religioso é um determinante social significativo para a saúde das mulheres negras. Segundo ela, os saberes e rituais ancestrais, aliados ao acolhimento oferecido pelos terreiros, podem ser um suporte fundamental tanto na prevenção quanto no acompanhamento de mulheres diagnosticadas com câncer.
A cartilha do Inca se propõe a criar um diálogo entre os saberes técnicos da medicina e as práticas culturais e religiosas afro-brasileiras, fortalecendo as mulheres negras na busca por informação e cuidado com a saúde. A detecção precoce é reforçada como a principal ferramenta de combate ao câncer, com orientações sobre os exames necessários para cada fase da vida.
Com informações da Agência Brasil
Aproveite para compartilhar clicando no botão acima!
Visite nosso site e veja todos os outros artigos disponíveis!