Bloco Aparelhinho celebra 15 anos de carnaval de rua em Brasília com música eletrônica e apropriação do espaço público

O Bloco Aparelhinho comemora 15 anos de folia em Brasília, consolidando-se como um movimento cultural que vai além da música, promovendo a apropriação do espaço público e a ressignificação do carnaval de rua na capital federal. O que começou com um som eletrônico em um carrinho improvisado, hoje atrai milhares de foliões, celebrando a cidade e a cultura carnavalesca.

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“É puro amor à cidade, às ruas da cidade, às avenidas ocupadas e coloridas; é vontade mesmo de ver o carnaval de rua acontecendo aqui”, declarou o DJ Rafael Ops, um dos fundadores do bloco, em entrevista à Rádio Nacional FM de Brasília. A inspiração veio das aparelhagens do Pará, e o objetivo sempre foi levar a festa para as ruas, de forma democrática e acessível.

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Da oficina da UnB ao carrinho tecnológico

O primeiro carrinho do Aparelhinho foi construído na oficina de marcenaria do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB), fruto de uma parceria entre Rafael Ops, então estudante de artes cênicas, e o arquiteto Gustavo Góes. Inicialmente, era um objeto simples, com quatro caixas de som, projetado para ser empurrável e ocupar diversos espaços urbanos.

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“Ele não surgiu como um trio elétrico, como um palco, ele surgiu como um objeto empurrável que pode ocupar marquise, túnel, subir em calçada, ele vai para onde a gente imaginar”, explicou Ops. A receptividade do público foi imediata, e em 15 anos, o carrinho evoluiu para uma estrutura mais tecnológica e visualmente impactante, com as cores características do bloco: azul e laranja.

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Um movimento inclusivo e diverso

Atualmente, o Aparelhinho conta com o apoio financeiro da Secretaria de Cultura do Distrito Federal e envolve cerca de 100 pessoas na organização. O bloco se destaca por ser um espaço democrático e inclusivo, acolhendo foliões de todas as idades e pessoas com dificuldade de locomoção.

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Bruna Daibert, publicitária que frequenta o bloco desde a primeira edição, ressalta a importância de formar novos públicos para o carnaval. “É o bloco em que encontro meus amigos, que a gente está em casa, que trago minha filha, que eu faço questão de vir”, disse, mencionando que sua filha, hoje adolescente, acompanha o bloco desde criança.

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Apesar de defender a ocupação de toda a cidade pelo carnaval, Bruna aponta desafios como a infraestrutura urbana. Fabiana Montandon, dentista e foliã há 10 anos, relatou dificuldades com buracos nas ruas, falta de rampas de acesso e banheiros inadequados no Setor Bancário Sul, local de concentração do bloco. “Eles anunciaram que era espaço acessível e eu vim por isso. Mas a gente só se dá conta quando está nessa situação”, comentou.

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Repertório eletrônico que agrada a todos

O repertório musical do Aparelhinho é um dos seus grandes diferenciais. Elaborado pelos DJs fundadores – Pezão, Rafael Ops e Rodrigo Barata – e convidados, a playlist é baseada em música eletrônica, mas transita por diversos gêneros brasileiros e internacionais.

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“A gente toca música do mundo”, afirmou Barata. O setlist inclui remix de músicas de carnavais brasileiros, frevos, axés, sambas-enredos, brega funk, piseiro, rock and roll e música eletrônica de várias vertentes. Essa diversidade sonora atrai um público variado, como Iago Roberto, cozinheiro que, apesar de não ouvir música eletrônica no dia a dia, curte a energia contagiante do bloco.

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Com informações da Agência Brasil

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