Em meio a um cenário de escalada de tensões e após o anúncio da captura do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, conclamou neste sábado (3) ministros e a população a resistirem a uma eventual intervenção americana no país. O pronunciamento ocorreu em Caracas, em um momento de incerteza sobre o futuro da Venezuela, após o presidente dos EUA, Donald Trump, declarar que Washington assumirá o controle interino do país até que uma transição de poder seja estabelecida.
Clamor por Resistência e Negação de Intervenção
Rodríguez, que esteve ao lado de figuras importantes do governo como o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e os ministros do Interior, Relações Exteriores e Defesa, enfatizou que a Venezuela possui um único presidente: Nicolás Maduro. A declaração surge em resposta direta ao anúncio de Trump, que sinalizou a intenção de governar a nação latino-americana de forma interina. Fontes especulavam que Rodríguez poderia ter assumido a presidência interina em uma cerimônia secreta, mas ela não abordou tal possibilidade em seu pronunciamento.
EUA Anunciam Controle Interino e Exploração Petrolífera
Donald Trump, em pronunciamento de sua residência em Mar-a-Lago, Flórida, detalhou a operação de captura de Maduro e afirmou que os Estados Unidos irão “administrar” a Venezuela temporariamente. Ele anunciou também a entrada de petroleiras norte-americanas na indústria petrolífera venezuelana, que, segundo ele, foi “roubada” dos EUA. Trump invocou a Doutrina Monroe, política histórica de influência americana na América Latina, e declarou que o “domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”. O presidente americano indicou que um grupo, composto por membros de alto escalão de seu governo, será designado para gerenciar a transição, mas não especificou datas ou métodos. Ele também descartou o papel da líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz de 2025, por considerar que ela não possui o apoio necessário na Venezuela.
Detalhes da Captura e Operação Militar
Trump descreveu a captura de Maduro como uma operação militar “extraordinária”, comparando-a em escala à Segunda Guerra Mundial, e afirmou ter assistido à ação em tempo real. Segundo ele, a operação foi adiada por questões climáticas e que Maduro teria tentado negociar uma saída pacífica uma semana antes, o que ele recusou. O presidente venezuelano e sua esposa foram transportados por helicóptero até o navio anfíbio USS Iwo Jima, no Mar do Caribe, onde aguardarão decisões judiciais nos Estados Unidos. A operação, que segundo o presidente durou apenas 47 segundos, contou com poderio aéreo, terrestre e marítimo americano. Explosões foram relatadas em Caracas durante a madrugada, com relatos de tremores, aeronaves sobrevoando a cidade e interrupção no fornecimento de energia elétrica.
Venezuela Declara Estado de Comoção Exterior e Apela por Solidariedade
Em resposta ao ataque, o governo venezuelano declarou estado de Comoção Exterior em todo o território nacional, convocando a população a se mobilizar para derrotar o que chamou de “agressão imperialista”. Caracas acusou os EUA de buscarem o controle de recursos estratégicos, como petróleo e minerais, e de tentarem impor uma “guerra colonial”. A Venezuela se reservou o direito de exercer legítima defesa e fez um apelo a governos da América Latina e do Caribe por solidariedade.



