
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulgou nesta quarta-feira (25) o Relatório de Monitoramento Global da Educação (Relatório GEM) 2026, revelando um cenário preocupante: 273 milhões de crianças, adolescentes e jovens estavam fora da escola em 2024. Isso representa um aumento pelo sétimo ano consecutivo e significa que uma em cada seis pessoas nessa faixa etária no mundo está excluída da educação.
O relatório destaca que, após uma queda significativa entre 2000 e 2015, a população fora da escola cresceu 3% desde então. As principais causas apontadas são o crescimento populacional, crises globais e a redução de orçamentos destinados à educação.
Contagem regressiva para 2030
O documento é o primeiro da série “Contagem Regressiva para 2030”, que avaliará o progresso da educação em termos de acesso, equidade, qualidade, aprendizagem e relevância até o final da década. A Unesco estima que a população jovem fora da escola pode ser subestimada em pelo menos 13 milhões, considerando informações de fontes humanitárias em países afetados por conflitos.
Avanços e desafios nas matrículas
Apesar do cenário de exclusão, o relatório aponta um aumento considerável nas matrículas globais. Em 2024, 1,4 bilhão de estudantes estavam matriculados, um acréscimo de 30% no ensino primário e secundário desde 2000. Houve também um aumento expressivo nas matrículas em educação pré-primária (45%) e pós-secundária (161%).
Exemplos de progresso incluem a Etiópia, que elevou sua taxa de matrícula no ensino primário de 18% para 84% entre 1974 e 2024, e a China, que expandiu o acesso ao ensino superior de 7% para mais de 60% no mesmo período.
Educação pré-primária e permanência escolar
O relatório também analisou a educação pré-primária, indicando que, embora 75% das crianças de 5 anos tenham acesso à educação, apenas 60% dos alunos do ensino fundamental completaram pelo menos um ano de pré-escola. Isso pode sugerir que o indicador global de sucesso da educação infantil pode estar superestimado.
A permanência de crianças na escola desacelerou em quase todas as regiões desde 2015, com destaque negativo para a África Subsaariana, afetada pelo crescimento populacional e conflitos. O Oriente Médio também enfrenta um alto risco de atraso educacional devido ao fechamento de escolas.
No entanto, alguns países registraram avanços notáveis na redução das taxas de evasão escolar desde 2000, como Madagascar, Togo, Marrocos, Vietnã, Geórgia e Turquia. A Costa do Marfim, por exemplo, reduziu pela metade suas taxas de exclusão em três faixas etárias.
Conclusão do ensino e repetência
As taxas de conclusão escolar aumentaram globalmente: 88% no ensino primário, 78% no ensino fundamental II e 61% no ensino médio. Contudo, o ritmo atual sugere que a universalização do ensino médio só seria alcançada em 2105. As altas taxas de repetência também diminuíram, mas persistem em países de baixa e média-baixa renda, levando a atrasos na conclusão dos ciclos escolares.
Metas e equidade
O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4) da ONU visa garantir que todos os meninos e meninas concluam o ensino primário e secundário gratuito e de qualidade até 2030. A Unesco monitora anualmente o progresso dos países em relação a essas metas.
Em termos de equidade, as disparidades de gênero na educação primária e secundária foram reduzidas na média global. A educação inclusiva também tem avançado, com um aumento na proporção de países com leis e definições que abrangem crianças com deficiência e outras necessidades.
Financiamento e recomendações
O relatório também aborda o financiamento da educação, mostrando um aumento no uso de mecanismos para beneficiar populações desfavorecidas e a expansão de programas como merenda escolar. Na educação superior, muitos países oferecem mensalidades gratuitas, subsídios para moradia, transporte e livros.
A Unesco recomenda que os países incorporem metas educacionais em seus planejamentos e orçamentos nacionais, com base em dados mais precisos e no monitoramento de políticas. Intercâmbios entre países são valorizados, mas experiências estrangeiras devem ser adaptadas à realidade local. A equidade deve ser o pilar no desenvolvimento de políticas educacionais.
Com informações da Agência Brasil





