
Planeta em Desequilíbrio Energético
A última década (2014-2023) foi a mais quente já registrada, de acordo com relatório da Organização Meteorológica Mundial (WMO). O estudo destaca o desequilíbrio energético da Terra como um indicador crucial. Em um clima estável, a energia solar recebida é igual à energia irradiada. Contudo, o aumento de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono e metano, tem alterado esse balanço, com o desequilíbrio energético se intensificando desde 1960, especialmente nos últimos 20 anos.
Oceanos Absorvem a Maior Parte do Calor
Cerca de 91% do excesso de calor é absorvido pelos oceanos, que atuam como um amortecedor térmico, resultando no aquecimento das águas. O derretimento das geleiras na Antártida e no Ártico também avança, consumindo 3% dessa energia extra. Esse cenário contribui para a elevação do nível do mar, que se acelerou desde 1993, e para alterações irreversíveis no pH oceânico em escalas de tempo de séculos a milênios.
Recordes de Calor nos Oceanos e Consequências
Em 2025, o calor armazenado nos oceanos até 2 mil metros de profundidade atingiu o nível mais alto já registrado, superando o recorde de 2024. As consequências incluem a degradação de ecossistemas marinhos, perda de biodiversidade e diminuição da capacidade dos oceanos de absorver carbono. A atmosfera acumula 1% do calor excessivo, enquanto 5% fica retido nas massas continentais.
Atividades Humanas e Clima Extremo
“Os avanços científicos aprimoraram nossa compreensão do desequilíbrio energético da Terra e da realidade que nosso planeta e nosso clima enfrentam atualmente”, afirmou Celeste Saulo, Secretária-Geral da WMO. Ela ressaltou que as atividades humanas estão comprometendo o equilíbrio natural, e o planeta enfrentará as consequências por centenas ou milhares de anos. O clima tem se tornado mais extremo, com ondas de calor, incêndios, secas, ciclones, tempestades e inundações causando mortes, afetando milhões e gerando prejuízos econômicos significativos.
Impactos na Saúde e Necessidade de Ação Integrada
A WMO alerta para os impactos abrangentes das mudanças climáticas na saúde, aumentando riscos de doenças transmitidas por vetores e água, além de estresse mental. Mais de um terço da força de trabalho global (1,2 bilhão de pessoas) enfrenta riscos relacionados ao calor no trabalho, especialmente em agricultura e construção civil, gerando perdas de produtividade. A entidade defende a integração urgente de dados meteorológicos e climáticos aos sistemas de saúde para medidas preventivas.
Com informações da Agência Brasil





