
Religiosidade e Resistência na Avenida
A escola de samba Paraíso de Tuiuti apresentará em seu desfile de carnaval o enredo Lonã Ifá Lukumi, que mergulha nas semelhanças da diáspora africana no Brasil e em Cuba, com foco na religiosidade afro-caribenha e suas influências no território brasileiro.
O samba-enredo, encomendado ao professor de história e compositor Luiz Antonio Simas em parceria com Claudio Russo e Gustavo Clarão, busca explorar as conexões entre o Ifá, a religiosidade dos descendentes iorubás escravizados em Cuba e as manifestações culturais e espirituais no Brasil.
O título do enredo é desmembrado para melhor compreensão: Loña refere-se à comunicação entre humanos e divindades; Lukumi (ou Lucumí) designa os descendentes iorubás levados para Cuba; e Ifá é descrito pelo escritor Nei Lopes como uma forma de religiosidade que une espiritualidade, racionalidade e práticas rituais.
Da Origem ao “Novo Mundo”
O enredo tem como base o livro Ifá Lucumí: o resgate da tradição, de Nei Lopes. O desfile será dividido em seis setores, iniciando com a chegada do Ifá à Terra e a transmissão do conhecimento aos primeiros sacerdotes, os babalaôs.
Em seguida, a escola abordará a disseminação do Ifá por outras civilizações africanas e, posteriormente, a diáspora africana impulsionada pelo tráfico negreiro. Um ponto crucial será a resistência à escravidão em Cuba, com destaque para a Revolta de Matanzas em 1843, liderada por Carlota Lacumí, descendente de iorubás.
O desfile também retratará Adeshina Remigio Herrera, considerado o primeiro babalaô do Ifá em Cuba, e o encontro dessa espiritualidade com a ancestralidade dos povos originários no continente americano, culminando no florescimento do Ifá Lukumí.
Expressões Religiosas e Chegada ao Brasil
A apresentação trará elementos que compõem o culto religioso, como locais de culto, rituais (ebós), comidas e oferendas, comparados pelo carnavalesco Jack Vasconcelos a práticas do candomblé.
O encerramento do desfile marcará a chegada do Ifá Lukumí ao Brasil, ocorrida no início da década de 1990 com a vinda do babalaô cubano Rafael Zamora Díaz ao Rio de Janeiro. O desfile lembrará o trágico assassinato de Díaz em 2011, no bairro do Cosme Velho.
A Paraíso de Tuiuti, fundada em 1952, busca repetir o sucesso de seu vice-campeonato em 2018 com o enredo Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?, mantendo-se na elite do carnaval carioca desde 2017.
Com informações da Agência Brasil





