Trump Prioriza Pragmatismo e Ignora Coerência ao Escolher Delcy Rodríguez para Transição Venezuelana


Em uma guinada estratégica que prioriza o pragmatismo sobre a coerência ideológica, o presidente Donald Trump sinalizou que Delcy Rodríguez, figura proeminente do regime chavista, seria a líder natural da Venezuela em um cenário de transição administrado pelos Estados Unidos. Essa escolha surpreendente representa um abandono da retórica anterior que deslegitimava as eleições venezuelanas e a própria liderança de Nicolás Maduro, indicando uma disposição em negociar com o establishment remanescente para atingir objetivos específicos, como a reestruturação da indústria petrolífera.


Mudança de Rota e Foco em Interesses Estratégicos

A declaração de Trump, segundo a qual Rodríguez estaria disposta a fazer o necessário para “tornar a Venezuela grande novamente”, sublinha a abordagem transacional de seu governo. Ao invés de apostar em figuras da oposição, como María Corina Machado ou Edmundo González Urrutia, que antes eram reconhecidos como potenciais líderes da transição, Trump optou por uma abordagem que busca manter o controle sobre a cúpula chavista. Essa decisão visa, aparentemente, a evitar resistências e insurgências internas, garantindo assim a estabilidade necessária para os interesses econômicos dos EUA, especialmente no setor de petróleo.


Ameaças e Condições para a Cooperação

Apesar de parecer abrir um canal de diálogo, a disposição de Trump em negociar com Delcy Rodríguez vem acompanhada de um tom ameaçador. O presidente americano deixou claro que, caso a líder venezuelana não colabore com as diretrizes estabelecidas por Washington, as consequências serão severas. Essa dualidade – a oferta de uma posição de poder condicionada à submissão – reflete a natureza da diplomacia americana sob sua gestão, onde acordos são buscados, mas a pressão e a imposição de termos são ferramentas constantes.

Exclusão da Oposição e a Busca por Controle

A decisão de descartar María Corina Machado, líder opositora com reconhecimento internacional, e Edmundo González Urrutia, antes considerado o presidente vitorioso nas eleições de 2024, demonstra um cálculo político de Trump. A justificativa de que Machado não possui apoio popular suficiente sugere uma preferência por figuras que, embora controversas, possam ser mais facilmente controladas e que já detenham alguma influência sobre as forças de segurança e a estrutura de poder existente. A aposta recai, portanto, na capacidade de negociar com o sistema atual para facilitar uma transição que atenda aos interesses americanos, em detrimento da promoção de uma mudança democrática mais ampla e genuína.