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Trump descartou Bolsonaro por não tolerar perdedores, afirma ex-embaixador dos EUA em entrevista exclusiva

A guinada da política externa dos Estados Unidos em direção ao Brasil ganhou contornos explícitos nos últimos meses, com tarifas inicialmente aplicadas a produtos brasileiros, sanções a autoridades do Judiciário e, em seguida, reversões que surpreenderam analistas. Em entrevista à BBC News Brasil, o ex-embaixador John Feeley afirma que o recuo de Washington está mais vinculado ao comportamento instável de Donald Trump e à mudança de percepção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro do que a avanços no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.


Quem é John Feeley e por que o tema importa

Feeley foi embaixador dos EUA no Panamá e hoje atua como diretor executivo do Centro para a Integridade da Mídia das Américas. Segundo ele, Trump é um líder altamente imprevisível, cuja condução de políticas externas depende menos de planejamento estratégico e mais de cortes de interesse imediato e de influências internas, o que dificulta negociações estáveis com qualquer país, incluindo o Brasil.


Bolsonaro, Lula e a percepção de alianças

Para o diplomata, a prisão de Bolsonaro mudou a leitura de Washington sobre o ex-aliado brasileiro. Ele aponta que Trump, ao ver Bolsonaro como perdedor, reclassificou a relação, tornando improvável uma aliança duradoura com o Brasil no cenário atual. Feeley ressalta que o papel de atores de Washington, como Eduardo Bolsonaro, pode ter influenciado a posição inicial do governo norte‑americano, mas que a ausência de uma estratégia clara é um traço recorrente na atuação de Trump.

Tarifas, sanções e o impacto humano na Venezuela

No contexto da Venezuela, o ex-embaixador vê o blockade naval como ferramenta mais eficaz para pressionar o regime de Nicolás Maduro do que ações anteriores, embora reconheça que sanções têm efeitos colaterais sobre a população. Ele também critica a falta de uma linha estratégica definida para mudança de regime, alertando que uma escalada militar poderia ter consequências negativas para toda a região.

O que tudo isso significa para o Brasil

Feeley sugere que Lula mantenha distância da órbita de Trump, buscando uma relação pragmática com Washington sem depender de um líder cuja condução é volátil. Mesmo diante das críticas à política externa dos EUA, ele afirma que Brasil e EUA seguem sendo interlocutores relevantes, independentemente de quem estiver no poder, e que o Brasil pode servir como exemplo de institucionalidade democrática para o público norte‑americano.