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Trump assume controle da Venezuela após captura de Maduro e envia recados a Cuba e Colômbia

Após a captura de Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em coletiva de imprensa na Flórida que seu governo assumirá a administração da Venezuela até que uma transição segura e criteriosa seja concluída. Trump não estabeleceu um prazo para a intervenção americana, afirmando que caberá aos EUA definir o momento de devolver o controle ao povo venezuelano. O anúncio ocorre após um ataque militar coordenado que resultou na detenção de Maduro, denunciado pelo governo venezuelano como uma agressão.


Plano de Administração e Críticas à Oposição

Trump indicou que uma equipe composta por membros de seu governo, incluindo o senador Marco Rubio e o Secretário de Defesa Pete Hegseth, será responsável por gerir a Venezuela. “Estamos designando pessoas agora e vamos informar quem são essas pessoas”, declarou, sem detalhar o mecanismo exato de governança. O presidente americano classificou Maduro como um “ditador ilegítimo” e o acusou de ser o principal responsável pela entrada de drogas ilícitas nos EUA, liderando o suposto Cartel de los Soles. Ele também advertiu figuras políticas e militares venezuelanas de que o mesmo destino de Maduro poderia acontecer com elas, declarando que “o povo venezuelano está livre novamente”.


A economia petrolífera venezuelana foi descrita por Trump como um “fracasso”, e os EUA se mostraram preparados para um “segundo ataque muito maior” se necessário. “Não queremos que outra pessoa assuma o poder e nos deparemos com a mesma situação que tivemos nos últimos anos”, justificou. Ele prometeu que a “parceria” com os EUA tornará o povo venezuelano “rico, independente e seguro”. Questionado sobre a presença de tropas americanas em solo venezuelano, Trump não descartou a possibilidade, afirmando que “vamos garantir que esse país seja administrado corretamente”.

Em relação à oposição, Trump mencionou que Marco Rubio está em contato com a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez, que teria concordado em cooperar com a transição. No entanto, ao ser questionado sobre a líder opositora María Corina Machado, Trump afirmou não ter falado com ela e considerou “muito difícil” que ela lidere a Venezuela. Embora a tenha descrito como “uma mulher muito simpática”, ele avaliou que ela “não tem o apoio nem o respeito necessários dentro do país”.

Operação Militar e Reações Internacionais

O Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, descreveu a operação que capturou Maduro como “uma grande operação conjunta das forças militares e policiais, executada com perfeição”, apelidada de “Operação Resolução Absoluta”. Segundo relatos da CBS, parceira da BBC, a CIA obteve informações cruciais de uma fonte dentro do governo venezuelano para rastrear Maduro, culminando em uma ação da Força Delta do Exército dos EUA. Ataques foram confirmados em diversas instalações militares, incluindo a Base Aérea Generalíssimo Francisco de Miranda e o Forte Tiuna. O general Dan Caine detalhou o planejamento meticuloso, que envolveu mais de 150 aeronaves e manteve “totalmente o elemento surpresa”, desativando sistemas de defesa aérea venezuelanos antes da extração de Maduro e sua esposa.

A ação militar foi condenada por países como China, Irã e Rússia, além de grande parte dos líderes latino-americanos, com exceção do presidente argentino Javier Milei, que celebrou o “avanço da liberdade”. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou o ataque como “inaceitável”, violador da soberania venezuelana e um “precedente perigoso”.

O ataque e a captura de Maduro representam o ápice de meses de escalada de tensões entre EUA e Venezuela, que se intensificaram desde o início da gestão Trump em 2025. As hostilidades incluíram a designação de organizações criminosas venezuelanas como terroristas, o aumento da recompensa pela prisão de Maduro, o envio de navios de guerra para o Caribe e ataques a embarcações acusadas de tráfico de drogas. Mais recentemente, os EUA fecharam o espaço aéreo venezuelano e impuseram um bloqueio a petroleiros sancionados. A recompensa oferecida pelos EUA pela prisão de Maduro era de US$ 50 milhões.