
A 28ª edição do Sonora Brasil, festival de música brasileira promovido pelo Sesc, realizará uma turnê nacional com artistas e grupos focados na música afro-indígena. A iniciativa apresentará shows inéditos em 15 estados brasileiros, com o objetivo de proporcionar ao público uma imersão nas expressões musicais que representam um patrimônio vivo e em constante reinvenção.
Imersão cultural e ancestralidade
O lançamento nacional da edição deste ano está programado para junho, em Santarém (PA), e as apresentações se estenderão até dezembro. A proposta do festival é destacar as tradições musicais afro-indígenas que atravessam gerações, resistem ao apagamento e dialogam com linguagens, tecnologias e estéticas contemporâneas.
Gean Ramos Pankararu: música como portal de resistência
O músico pernambucano Gean Ramos Pankararu, artista contemporâneo que conecta ancestralidades indígena e negra, expressou a responsabilidade em levar seu trabalho a novos públicos. “Recebo esse convite com muita responsabilidade para levar nosso trabalho a lugares ainda mais distantes e ajudar na construção da consciência do que são os povos indígenas no contexto contemporâneo”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.
A relação de Gean com a música iniciou na infância, em seu território Pankararu. Ele destaca que sua obra aborda a história de luta e resistência dos povos indígenas no Brasil. “A música é um portal muito grande na minha vida e na história do meu povo. É uma relação espiritual que parte da conexão com a terra e com a natureza.”, explicou.
Ele ressalta a importância da música como instrumento de luta e construção de consciência para futuras gerações. “Minha relação com a música profissional tem sido nesse lugar de consciência indígena, de escrever uma história a partir da cosmovisão e da cosmopercepção indígena”, disse.
Diversidade de artistas na turnê
Além de Gean Ramos Pankararu, a turnê contará com a participação do primeiro grupo de carimbó de mulheres indígenas do Brasil, as Suraras do Tapajós (PA), com repertório autoral e releituras da música paraense. O grupo baiano Cabokaji une referências indígenas e afro-brasileiras a ritmos eletrônicos, com performances que integram música, corpo e elementos rituais, fazendo referência a comunidades como Xukuru-Kariri (AL) e Fulni-ô (PE).
Outro destaque é o grupo Nderé Oblé, que reúne artistas do Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Costa do Marfim, propondo a conexão entre ancestralidade e futuro através da música, palavra e corpo.
Sonora Brasil: 28 anos de difusão cultural
O Sonora Brasil é um dos projetos mais longevos do Sesc, atuando desde 1998 na difusão da música e das manifestações culturais brasileiras. “É um projeto que tem como foco a formação de ouvintes musicais e levar ao [público] conhecimento da sua própria riqueza e diversidade cultural”, explicou Leonardo Minervini, gerente interino de Cultura do Departamento Nacional do Sesc.
Cada artista ou grupo realizará entre 30 e 40 apresentações em todas as regiões do país. “É um projeto muito dinâmico, muito vivo, que responde a demandas conforme os diferentes contextos da cultura brasileira”, completou Minervini.
Com informações da Agência Brasil





