
Durante uma entrevista concedida ao Radar Amazônico, o Coronel Menezes (PP), candidato a vice-prefeito de Manaus na chapa de Roberto Cidade (UB), fez duras críticas à tentativa do prefeito David Almeida de se aproximar de Amom Mandel (Cidadania) e do Capitão Alberto Neto (PL) no segundo turno das eleições de 2024. Menezes declarou que uma eventual aliança de Amom com o atual prefeito seria prejudicial à carreira política do jovem candidato. “Se Amom apoiar o David, ele está morto em 2026”, afirmou Menezes, destacando que essa atitude poderia comprometer a coerência política de Amom aos olhos dos eleitores.
O cenário político e as alianças de David Almeida
Durante a entrevista, Menezes reagiu a um vídeo de David Almeida, no qual o prefeito elogiava as propostas de Amom Mandel e Capitão Alberto Neto, sinalizando possíveis alianças para o segundo turno. No entanto, Menezes acredita que essa estratégia não trará benefícios para Amom, principalmente pelo histórico de David Almeida de alianças com figuras tradicionais da política amazonense, como os senadores Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz (PSD), que também estão envolvidos no projeto de reeleição do atual prefeito.
Para Menezes, essas movimentações refletem o que ele chama de “jogo da velha política”. O candidato a vice-prefeito destacou que Almeida, ao se unir com esses nomes, se afasta da renovação política que a população tanto deseja. Ele ainda ironizou a tentativa do prefeito de buscar o apoio de Amom e Alberto Neto, ao mesmo tempo em que mantém fortes laços com políticos que representam a velha guarda política do estado.
As críticas ao Capitão Alberto Neto e a relação com Bolsonaro
Outro ponto importante levantado por Menezes na entrevista foi sua relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro, ressaltando que sua trajetória política foi construída sob o apoio do ex-presidente. Menezes relatou que sua amizade com Bolsonaro já dura mais de 40 anos, sendo que ele foi padrinho de casamento do Coronel. Em 2020, Bolsonaro o escolheu como candidato a prefeito de Manaus, e em 2022, como candidato ao Senado. Menezes fez questão de frisar que a proximidade entre eles não se baseia em interesses políticos, mas em uma relação de confiança pessoal.
Apesar disso, Menezes esclareceu que não é mais o candidato do PL porque foi expulso do partido após criticar Alberto Neto, chamando-o de “traidor” por votar contra a Zona Franca de Manaus. Menezes não economizou nas críticas, afirmando que Alberto Neto foi o responsável por sua expulsão e que, sem esse episódio, ele seria o candidato natural de Bolsonaro pelo PL.
O “sumiço” do vice de David Almeida
Durante a entrevista, Menezes também abordou a ausência do vice de David Almeida nas propagandas eleitorais do prefeito, apontando que essa “estratégia” é reflexo das alianças políticas controversas do atual prefeito. Ao ser questionado se também seria um “vice que some”, Menezes ironizou o desaparecimento do vice-prefeito, fazendo uma analogia com o viaduto Rei Pelé, em Manaus, que ficou conhecido por ter sido entregue incompleto, sem uma de suas rampas de acesso.
“O vice do David deve ter sumido como sumiu a perna do viaduto. Aqueles viadutos saci, que você entra com duas pernas e sai com uma”, brincou Menezes, fazendo alusão às falhas na gestão de Almeida e ao descaso com algumas obras públicas.
Possível aliança entre Alberto Neto e David Almeida
Menezes também comentou sobre a possível aliança de Alberto Neto com David Almeida, destacando que essa movimentação seria um sinal de fraqueza da “direita melancia”, uma referência àqueles que se dizem de direita, mas fazem acordos que não condizem com os princípios conservadores. Menezes afirmou que não acredita que Bolsonaro apoiaria essa aliança, mas que, em nível local, a liderança do PL poderia tomar tal decisão. “Pelo Bolsonaro, eu coloco minha mão no fogo. Agora, o Alfredo [presidente estadual do PL] e o Alberto [Neto], esses fazem qualquer negócio”, disse Menezes, referindo-se ao presidente do PL e ao deputado federal.
Menezes argumenta que uma eventual aliança de Alberto Neto com David Almeida representaria o “enterro” da direita local, especialmente em uma possível candidatura em 2026. Ele defendeu que as alianças feitas em 2024 podem ter um impacto significativo nas futuras eleições, sendo esse um momento crucial para definir os rumos da política no estado.
O contexto eleitoral e a “Velha Política”
Por fim, Menezes reforçou sua visão crítica sobre a atuação de David Almeida na política. Ele afirmou que o atual prefeito joga o mesmo “jogo da velha política” ao se unir a figuras tradicionais como Eduardo Braga e Omar Aziz, contrariando o discurso que Almeida adotava em eleições passadas, quando prometia “aposentar os caciques” da política amazonense. Agora, no entanto, David parece ter se rendido às alianças que tanto criticava.
Menezes concluiu que David Almeida, ao tentar buscar apoio de figuras jovens como Amom e Alberto Neto, está apenas repetindo uma estratégia típica da velha política, usando elogios e possíveis acordos de bastidores para conquistar apoios no segundo turno.
Entrevista na Íntegra