A Rússia reiterou sua posição de apoio inabalável ao governo venezuelano, afirmando que o país sul-americano deve ter o direito de determinar seu próprio futuro sem qualquer tipo de intervenção externa. A declaração surge em meio a tensões crescentes e após críticas contundentes de Moscou aos Estados Unidos no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Apoio Russo à Venezuela e Críticas aos EUA
Em um comunicado oficial, o governo russo expressou satisfação com a posse de Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela, considerando sua ascensão como um passo fundamental para garantir a paz e a estabilidade no país. Moscou classificou as ações que visam interferir nos assuntos venezuelanos como “ameaças neocoloniais flagrantes e agressão armada estrangeira”. A Rússia enfatizou a necessidade de respeitar a soberania venezuelana e reafirmou sua solidariedade ao povo e ao governo de Nicolás Maduro, prometendo continuar oferecendo o “apoio necessário”.
As declarações ganham força após a Rússia, na Organização das Nações Unidas, condenar veementemente o que chamou de “hipocrisia e cinismo” dos Estados Unidos. O embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzya, solicitou a libertação imediata de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, acusando os EUA de conduzirem uma “operação criminosa” para se apoderar dos recursos energéticos venezuelanos. Nebenzya argumentou que a ONU não pode compactuar com a postura americana.
Posições de China e Venezuela na ONU
A China também se manifestou na reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, demonstrando forte repúdio à ação dos Estados Unidos. O representante chinês, Fu Cong, expressou choque e condenou o que chamou de “bullying” por parte do governo norte-americano, ressaltando que nenhum país possui autoridade para atuar como polícia ou tribunal internacional. Cong alertou para as graves consequências que tais ações podem acarretar à paz internacional e regional.
Por sua vez, a Venezuela utilizou a tribuna da ONU para solicitar que o Conselho de Segurança assegure que o governo Trump não confisque seus recursos naturais. O embaixador venezuelano, Samuel Moncada, argumentou que a ação dos EUA envia a perigosa mensagem de que o cumprimento da lei é opcional e demandou medidas concretas, como a exigência do respeito aos direitos de Maduro e Flores e sua libertação imediata, a condenação inequívoca do uso da força contra a Venezuela, a reafirmação do princípio de não aquisição de território ou recursos naturais, e esforços para a desescalada e proteção da população civil.
Defesa dos EUA e Situação de Maduro
Em sua defesa, os Estados Unidos classificaram Nicolás Maduro como um “fugitivo da Justiça” e descreveram a operação que resultou em sua captura como uma “operação para o cumprimento da lei”. O embaixador americano na ONU, Mike Waltz, reiterou que Maduro não era um líder de Estado legítimo, mas sim um “narcotraficante” responsável pela morte de milhares de americanos e que manipulou o sistema eleitoral para se manter no poder. Maduro e Flores se declararam inocentes em audiência judicial em Nova York.


