O Ministério das Relações Exteriores da Rússia expressou profundo descontentamento e alarme nesta quinta-feira (8) em relação à apreensão de um petroleiro, identificado por Moscou como Marinera, pelas autoridades dos Estados Unidos. Segundo o governo russo, a ação representa uma tentativa de incitar tensões políticas e militares, podendo agravar ainda mais o cenário de “relações russo-americanas extremamente tensas”. A apreensão ocorreu na quarta-feira (7) no Oceano Atlântico, após semanas de perseguição ao navio, que recentemente teria adotado a bandeira russa e mudado de nome.
Divergências sobre a Legalidade e Bandeira do Navio
O incidente gerou uma disputa sobre a identidade e o status legal do petroleiro. Enquanto a Rússia afirma que o navio Marinera obteve permissão para navegar sob sua bandeira em 24 de dezembro, os Estados Unidos o identificam como Bella 1, alegando que ele navegava sem bandeira definida após utilizar pavilhão falso e que faz parte da chamada “frota fantasma” venezuelana, utilizada para contornar sanções americanas ao petróleo do país sul-americano.
Moscou refutou veementemente as acusações de navegação sob bandeira falsa, assegurando ter fornecido repetidamente “informações confiáveis” sobre a propriedade russa e o status do navio. O Ministério das Relações Exteriores russo lembrou que o direito internacional estabelece a jurisdição exclusiva do Estado da bandeira sobre navios em alto-mar. A detenção e revista de embarcações em águas internacionais, segundo a Rússia, só são permitidas em circunstâncias excepcionais como pirataria ou tráfico de escravos, que não se aplicariam ao caso do Marinera. Em outras situações, seria necessário o consentimento do Estado de bandeira, neste caso, a Rússia.
Interceptação com Apoio Britânico
A operação de interceptação foi realizada pela Guarda Costeira dos EUA, com o apoio de forças britânicas, em uma área entre a Islândia e a Escócia. O petroleiro, que estava com os tanques vazios, vinha sendo perseguido pelas autoridades americanas desde 21 de dezembro. O governo russo classificou a ação conjunta dos EUA e o Reino Unido como “perigosa e irresponsável”, reiterando que tais medidas podem levar a “graves crises internacionais”.




