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Roubo de obras de Monet, Picasso e Dalí prescreve após 20 anos no Rio de Janeiro

O roubo que chocou o Brasil

Na Sexta-feira de Carnaval de 2006, enquanto o Bloco das Carmelitas animava as ruas de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, um audacioso roubo de obras de arte ocorria em pleno dia. Cinco quadros de artistas renomados como Claude Monet, Salvador Dalí, Pablo Picasso e Henri Matisse foram levados do Museu da Chácara do Céu. O crime, avaliado em mais de US$ 10 milhões na época, é considerado um dos maiores do Brasil e figura entre os dez maiores do mundo, segundo o FBI.


Investigações e suspeitos

Ao longo de duas décadas, três nomes principais figuraram como suspeitos: Paulo Gessé, Michel Cohen e Patrice Rouge. As investigações policiais envolveram escutas telefônicas, buscas em residências e prisões, mas nenhuma pista concreta levou à recuperação das obras ou à condenação dos responsáveis. O caso, marcado por falhas na investigação e descaso institucional, culmina agora na prescrição do crime, impedindo a punição dos envolvidos.


O “descaso” com o patrimônio cultural

A jornalista Cristina Tardáguila, autora do livro “A Arte do Descaso”, aponta um “desinteresse institucional generalizado” na solução do crime. A reportagem da Agência Brasil apurou uma série de negligências, desde a demora na chegada da polícia ao local até a perda do inquérito policial, que só foi encontrado anos depois. O Museu da Chácara do Céu, que hoje conta com um sistema de segurança moderno e monitoramento 24 horas, lamenta a perda, mas mantém a esperança de um dia reaver as obras.

Obras roubadas e o impacto cultural

As cinco obras roubadas eram peças de inestimável valor cultural: “Marine” (Monet), “Le Jardin du Luxembourg” (Matisse), “La Danse” (Picasso), “Homme d’une Complexion Malsaine Écoutant le Bruit de la Mer sur les Deux Balcons” (Dalí) e o livro de gravuras “Toros” (Picasso). Especialistas lamentam a perda, que representa um prejuízo irreparável não só para o museu, mas para toda a sociedade, privando o público do acesso a um patrimônio único.

Um futuro no cinema

O caso, que agora prescreve sem punição, pode ganhar novas perspectivas com o cinema. Um longa-metragem ficcional baseado no livro “A Arte do Descaso” está em fase de captação de recursos, com a promessa de trazer nova luz ao mistério e à discussão sobre a importância da proteção do patrimônio cultural brasileiro. O produtor Daniel Furiati, que esteve presente no Bloco das Carmelitas em 2006, ressalta o compromisso de não glamourizar o roubo de arte, mas sim de expor as falhas e o descaso.

Com informações da Agência Brasil