
Estudo revela declínio na qualidade da água em rios da Mata Atlântica
Um estudo recente sobre a qualidade da água em rios da Mata Atlântica aponta para uma situação preocupante, com uma queda na quantidade de corpos hídricos classificados como bons. Para o biênio 2024-2025, a análise de 115 pontos, comparada ao ciclo anterior, mostrou que os rios em bom estado diminuíram de nove para apenas três. A categoria “regular” apresentou leve aumento, passando de 89 para 91 pontos, enquanto os rios em condição “ruim” subiram de 15 para 16. Cinco pontos se mantiveram na categoria “péssima”, indicando condições críticas.
Saneamento básico: o gargalo da melhoria hídrica
Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, a principal barreira para a melhoria da qualidade da água no Brasil é a falta de saneamento básico adequado. “O Brasil ainda enfrenta muitos desafios em relação ao saneamento básico. Ainda hoje, cerca de metade da população brasileira não tem acesso a esse serviço que, como o nome diz, deveria ser básico. Está faltando o básico para boa parte da população”, alerta o especialista.
O Novo Marco Legal do Saneamento Básico estabelece a meta de universalização dos serviços até 2033, com 99% da população atendida com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto. No entanto, o especialista ressalta que essas metas estão distantes de serem alcançadas, evidenciando um descompasso entre a legislação e o avanço real.
Degradação ambiental e seus impactos
A diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, atribui os resultados do relatório a escolhas políticas que impactam diretamente os rios. Além do atraso no saneamento, há pressões para flexibilizar leis ambientais, como o Código Florestal e a Lei da Mata Atlântica, tornando as florestas mais vulneráveis.
A degradação da vegetação, especialmente das matas ciliares, afeta a capacidade dos rios de filtrar poluentes e reter sedimentos. Eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e chuvas intensas, agravam o cenário, aumentando o carreamento de poluentes e diminuindo a capacidade de diluição.
Legislação ambiental e segurança hídrica
Malu Ribeiro enfatiza que um modelo de desenvolvimento que trata a natureza como obstáculo compromete a segurança hídrica do país. “Fragilizar a legislação ambiental significa também fragilizar a segurança hídrica do país.” Ela acrescenta que a privatização de companhias de saneamento não substitui a necessidade de políticas públicas integradas, planejamento de longo prazo e fiscalização efetiva.
Com informações da Agência Brasil





