
Manifestação pela Serrinha do Paranoá
Ambientalistas, acadêmicos e representantes de entidades civis voltaram a protestar em Brasília neste domingo (15) em defesa da Serrinha do Paranoá. A área, localizada entre as regiões administrativas do Varjão e do Paranoá, é descrita como de reconhecida relevância ecológica, hídrica e climática para o Distrito Federal.
A Serrinha abriga extenso cerrado nativo, áreas ambientalmente sensíveis, zonas de recarga hídrica e escarpas com alta concentração de nascentes. Segundo informações do governo distrital, a região contribui com o abastecimento do Lago Paranoá, manancial estratégico para o fornecimento de água à população.
Projeto de Socorro ao BRB e a controvérsia da Gleba A
Apesar de o próprio governo distrital reconhecer a necessidade de recuperação e proteção da área, a Câmara Legislativa aprovou e o governador Ibaneis Rocha sancionou um projeto que autoriza o GDF a contratar até R$ 6,6 bilhões em empréstimos emergenciais para o Banco de Brasília (BRB). Como garantia, o projeto inclui a Gleba A, uma área pública de 716 hectares na Serrinha do Paranoá, avaliada em cerca de R$ 2,2 bilhões.
O BRB enfrenta problemas de liquidez devido a prejuízos decorrentes da compra de carteiras de crédito e ativos de baixa liquidez do Banco Master. A Polícia Federal investiga suspeitas de fraude nesta negociação, com o envolvimento do banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso.
Preocupações ambientais e científicas
Lúcia Mendes, presidenta da Associação Preserva Serrinha, expressou preocupação com a impermeabilização da área, que poderia comprometer as nascentes e o abastecimento de água. Ela destacou que estudos de 2015 já indicavam que a região não comporta a construção de condomínios.
O engenheiro florestal César Victor do Espírito Santo, membro do Conama e da Funatura, informou que o Conselho Nacional do Meio Ambiente aprovou uma moção de apoio à preservação da Serrinha, considerando a Gleba A uma importante área de recarga de aquífero e proteção da biodiversidade.
O doutor em ecologia Paulo Moutinho, do IPAM, criticou o projeto, afirmando que o GDF transfere o custo ambiental e social para a população do DF para capitalizar o BRB. Ele alertou que a venda da área para especulação imobiliária pode levar à diminuição das nascentes, um recurso vital diante da redução das chuvas no Cerrado.
Posição do GDF
Em resposta às críticas, o governador Ibaneis Rocha reiterou que não há nascentes na área da Serrinha do Paranoá incluída no projeto. Ele classificou as manifestações como uma “guerra de ambientalistas e de pessoas que são contra a solução” para o BRB e garantiu que o GDF está fornecendo as informações necessárias aos órgãos de fiscalização.
Com informações da Agência Brasil





