O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, em uma rara e contundente crítica à política externa dos Estados Unidos sob a administração Trump, declarou que o país está ativamente minando a ordem mundial que ele mesmo ajudou a construir. As declarações, proferidas em um simpósio na Alemanha, surgem em um momento de crescente tensão com a Europa e de ações americanas controversas, como a intervenção na Venezuela e o interesse em adquirir a Groenlândia, pertencente à Dinamarca.
Críticas à Política Externa Americana e o Risco de um Mundo Anárquico
Steinmeier expressou profunda preocupação com o que chamou de “quebra de valores” por parte dos EUA, alertando para o perigo de o cenário global se transformar em um “covil de ladrões”. Segundo ele, a busca por interesses unilaterais por parte de algumas potências pode levar a um mundo onde “regiões ou países inteiros são tratados como propriedade de algumas poucas grandes potências”. A democracia global, segundo o presidente alemão, enfrenta ataques sem precedentes.
Brasil e Índia Como Pilares Potenciais da Ordem Global
Em sua análise, Steinmeier destacou a necessidade de uma “intervenção internacional ativa em situações de ameaça” e apontou países como Brasil e Índia como atores cruciais na proteção da ordem mundial. A menção ao Brasil, em particular, sugere um reconhecimento de seu potencial papel diplomático e de sua influência em um cenário global em reconfiguração.
Ações de Trump e a Nova Abordagem dos EUA ao Multilateralismo
Paralelamente às críticas europeias, o presidente Donald Trump reafirmou a intenção dos Estados Unidos de continuar “administrando” a Venezuela e explorando suas reservas de petróleo “por muitos anos”. Em entrevista ao The New York Times, Trump declarou que o governo interino venezuelano está suprindo as necessidades americanas e que a reconstrução do país será “muito lucrativa” para os EUA, com a utilização do petróleo para baixar os preços globais e gerar receita.
Adicionalmente, o governo Trump anunciou a retirada dos Estados Unidos de 35 organizações não pertencentes à ONU e de 31 entidades ligadas à organização. A justificativa oficial é que essas instituições “operam contrariamente aos interesses nacionais dos EUA”. A maioria dos alvos são agências focadas em questões climáticas, trabalhistas, diversidade e pautas consideradas pelo governo Trump como “woke”. Essa postura se alinha a uma abordagem mais seletiva e unilateral em relação à cooperação internacional, onde os EUA priorizam seus próprios termos e interesses, o que tem gerado reações e forçado reestruturações em diversas organizações multilaterais.


