
Um estudo recente revela que peixes consumidos por populações ribeirinhas na Amazônia apresentam níveis preocupantes de contaminação por metais pesados, como mercúrio, arsênio e cádmio. Essa contaminação representa sérios riscos à saúde, incluindo danos ao sistema nervoso, problemas renais e um aumento considerável na probabilidade de desenvolvimento de câncer.
Riscos à saúde e coincidências alarmantes
A pesquisa identificou que 25% das amostras de peixe analisadas exibem um risco considerável de câncer, especialmente devido à presença de arsênio e cádmio. O peixe acari, um alimento básico na dieta local, foi um dos mais afetados. O mercúrio, por sua vez, pode causar danos neurológicos, renais, problemas respiratórios e impactar negativamente o desenvolvimento infantil e gestações.
Pesquisadores observaram uma coincidência alarmante: dados da Secretaria de Saúde do Pará indicam um aumento nos casos de câncer de pele entre 2022 e 2024 no Baixo Amazonas, particularmente em Santarém e Juruti. Essas são justamente as áreas onde o estudo detectou maior risco associado ao arsênio, embora a correlação exija mais investigação.
Origens da contaminação na Amazônia
A presença desses metais tóxicos nos rios amazônicos é atribuída a diversas pressões ambientais. O garimpo ilegal de ouro, que utiliza mercúrio, a mineração de bauxita e a expansão agrícola, como o cultivo de soja, são apontados como principais fontes. Essas atividades levam à erosão do solo, liberando metais naturalmente presentes na terra para os cursos d’água.
Os contaminantes se acumulam na cadeia alimentar, atingindo concentrações mais elevadas em peixes predadores, como tucunaré e piranha. A população ribeirinha, que consome peixe diariamente, é a mais exposta a esses riscos, enquanto o consumo médio para o restante da população brasileira é considerado seguro.
Propostas para a segurança alimentar e saúde pública
Os pesquisadores descartam a proibição do consumo de peixe como solução, pois isso agravaria a insegurança alimentar na região. Em vez disso, defendem políticas públicas focadas no monitoramento contínuo da qualidade da água e dos alimentos, além de ações de vigilância em saúde.
A pesquisa reforça a urgência de integrar questões ambientais e de saúde pública na formulação de políticas para a Amazônia, especialmente diante do avanço de atividades econômicas que impactam diretamente a qualidade de vida das populações locais.
Com informações da Agência Brasil





