
A Oxfam estima que US$ 3,55 trilhões em riqueza escondida em paraísos fiscais e contas não declaradas em 2024 — um montante que supera toda a riqueza da metade mais pobre da humanidade, diz a organização.
Dados e alcance da estimativa
A análise da Oxfam aponta que aproximadamente 80% dessa riqueza offshore não tributada está nas mãos do 0,1% mais rico, o que equivale a cerca de US$ 2,84 trilhões.
Segundo a organização, esse valor “supera o PIB da França e é mais que o dobro do PIB combinado dos 44 países menos desenvolvidos do mundo”. A riqueza offshore não tributada segue persistentemente alta, em aproximadamente 3,2% do PIB global.
Panama Papers e investigação internacional
O levantamento foi divulgado no contexto dos dez anos do escândalo conhecido como Panama Papers. Na ocasião, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, sigla em inglês) investigou a indústria de empresas offshore, que pode ser usada para esconder dinheiro e dificultar o rastreamento de seus verdadeiros donos.
Mais de 370 jornalistas de 76 países examinaram milhões de documentos vazados, revelando esquemas usados por super-ricos para ocultar ativos.
Como a Oxfam interpreta os achados
Em nota, o coordenador de Tributação da Oxfam Internacional, Christian Hallum, afirma: “Os Panama Papers levantaram o véu sobre um mundo sombrio onde os mais ricos movimentam silenciosamente fortunas imensas para além do alcance dos impostos e da fiscalização. Dez anos depois, os super-ricos continuam escondendo verdadeiros oceanos de riqueza em cofres offshore”.
Desigualdade entre países e propostas
A Oxfam destaca a necessidade urgente de uma ação internacional coordenada para tributar a riqueza extrema e acabar com o uso de paraísos fiscais. A organização afirma que, apesar de progressos na redução da riqueza offshore não tributada, a maioria dos países do Sul Global permanece excluída do sistema de Troca Automática de Informações (AEOI), embora pesquisadores atribuam ao AEOI parte da redução observada.
Viviana Santiago, diretora executiva da Oxfam Brasil, defende que “Justiça fiscal passa necessariamente por tributar os super-ricos”.
Com informações da Agência Brasil




