A Rússia utilizou o míssil hipersônico Oreshnik em um ataque contra a Ucrânia, segundo informações divulgadas por Moscou. Esta arma, que entrou oficialmente em serviço no final de 2025, é notável por sua capacidade de atingir velocidades superiores a Mach 5 (cinco vezes a velocidade do som), tornando-a um desafio significativo para os sistemas de defesa aérea atuais. Embora o ataque recente não tenha envolvido ogivas nucleares, o Oreshnik possui essa capacidade, aumentando a complexidade da sua dissuasão.
O que torna o Oreshnik uma arma tão perigosa?
O Oreshnik é classificado como um míssil balístico de alcance intermediário (IRBM), com uma capacidade teórica de atingir alvos a até 5.500 quilômetros. Essa característica, combinada com sua velocidade extrema, permite que ele cubra vastas distâncias em tempos muito curtos. A velocidade de até 13.000 km/h reduz drasticamente o tempo de resposta de radares e interceptadores, dificultando a detecção e neutralização do projétil. Além disso, o Oreshnik pode ser equipado com ogivas múltiplas independentes (MIRV), onde um único míssil pode liberar de seis a oito ogivas, cada uma com trajetória própria, sobrecarregando as defesas inimigas.
Desafios de Interceptação e Histórico do Míssil
Especialistas em defesa apontam três fatores principais que tornam o Oreshnik virtualmente impossível de interceptar com a tecnologia atual: a velocidade extrema, a capacidade de realizar manobras evasivas na fase final do voo, alterando sua trajetória balística clássica, e a possibilidade de saturar as defesas com múltiplos projéteis simultâneos. O primeiro teste conhecido do Oreshnik ocorreu em novembro de 2024, com disparos experimentais contra a cidade de Dnipro, na Ucrânia, utilizando ogivas inertes como demonstração de capacidade. A produção em série do míssil foi iniciada após sua entrada oficial em serviço ativo em 30 de dezembro de 2025.
Implicações Estratégicas e o Contexto Atual
A implantação do Oreshnik em Belarus e seu uso em ataques, mesmo que experimentais, adicionam uma nova camada de complexidade ao conflito na Ucrânia e às relações geopolíticas globais. A capacidade do míssil de atingir grande parte da Europa a partir de bases próximas ao território ucraniano é um ponto de preocupação para a OTAN. O presidente russo Vladimir Putin já elogiou as capacidades do Oreshnik, alertando o Ocidente sobre o potencial uso da arma contra aliados da OTAN que apoiam a Ucrânia. O uso do míssil ocorre em um momento de negociações de paz delicadas, destacando a tensão e a corrida armamentista tecnológica em curso.




