O Conselho de Segurança das Nações Unidas realiza uma reunião nesta segunda-feira para debater a recente captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelas forças especiais dos Estados Unidos. A operação, que ocorreu na madrugada de sábado e afetou infraestruturas militares e causou apagões em Caracas, levou Maduro para solo americano, onde ele deve comparecer a uma audiência judicial em Nova York ainda hoje. A audiência, marcada para as 14h (horário de Brasília), o apresentará formalmente a um juiz federal sob acusações de narcotráfico, conspiração para narcoterrorismo e posse de armas de guerra. Sua esposa, Cilia Flores, também detida na operação, deverá acompanhá-lo.
Tensões Internacionais e Reações à Captura
A ação dos Estados Unidos gerou reações distintas no cenário internacional. Rússia e China, aliados de longa data da Venezuela, acusaram Washington de violar o direito internacional. Por outro lado, nações aliadas dos EUA, muitas das quais críticas ao governo de Maduro, têm demonstrado menos contundência em relação ao uso da força militar. Analistas preveem que esses países possam adotar uma postura cautelosa durante as discussões no Conselho de Segurança. O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou preocupação, considerando a operação um precedente perigoso, embora a influência dos EUA no Conselho possa vetar ações conjuntas contra a ação americana.
Acusações Contra Maduro e o Cartel de los Soles
As acusações que pesam contra Nicolás Maduro e Cilia Flores nos Estados Unidos incluem conspiração para narcoterrorismo, tráfico internacional de cocaína e uso de armas de guerra. O governo americano alega que Maduro lidera o Cartel de los Soles, uma organização sul-americana envolvida no tráfico de drogas com destino aos EUA, com o objetivo de desestabilizar a sociedade americana. Especialistas, no entanto, contestam a ideia de Maduro como líder centralizado, descrevendo o Cartel de los Soles como uma rede complexa que facilita o tráfico, beneficiando-se de uma governança criminal híbrida no país, da qual Maduro seria um dos principais beneficiários.
Venezuela Designa Nova Liderança e Busca Diálogo
Após a captura de Maduro, as Forças Armadas da Venezuela reconheceram a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país. Em uma carta aberta ao presidente dos EUA, Donald Trump, Rodríguez solicitou diálogo, o fim das hostilidades e uma agenda de colaboração, enfatizando o desejo venezuelano por paz e não ingerência externa. A dirigente propôs um relacionamento baseado na cooperação mútua, reiterando a postura de Nicolás Maduro e da Venezuela em busca de um convívio pacífico e sem ameaças externas.



