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Observatório do Calor se expande para Manguinhos e Salgueiro após medições em favelas do Rio

O verão já se despediu, mas as altas temperaturas reforçaram a urgência em monitorar o impacto desigual do calor nas favelas do Rio de Janeiro. O Observatório do Calor, iniciativa pioneira instalada no Complexo do Alemão, registrou um pico de 43,92 graus Celsius no Morro do Adeus em dezembro, contrastando com os 34ºC oficiais na cidade no mesmo dia. Diante dessa disparidade, a prefeitura anunciou a expansão do projeto para Manguinhos e Salgueiro.


Ilhas de calor e qualidade do ar sob observação

O Observatório do Calor é um projeto da Prefeitura do Rio que mede as ilhas de calor e a qualidade do ar em comunidades carentes. Fatores como a falta de árvores, adensamento habitacional, ruas estreitas e pouca ventilação intensificam as altas temperaturas nessas localidades. “O Observatório nos permitirá entender melhor esses impactos de forma localizada”, explicou a secretária municipal do Ambiente e Clima, Tainá de Paula.


A força de trabalho para as medições será contratada nas próprias comunidades. Os dados serão coletados três vezes ao dia, em diferentes pontos, e analisados por especialistas para embasar intervenções ambientais e urbanísticas. A expansão contará com o apoio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Intervenções urbanísticas e soluções comunitárias

Em Manguinhos, comunidade densamente povoada e com poucos espaços verdes, as medições poderão indicar a relação entre a proximidade de vias expressas e a baixa qualidade do ar. As recomendações devem incluir plantio de árvores, criação de áreas de sombreamento e espaços mais permeáveis e ventilados. “Com isso, poderemos planejar desde a criação de microcorredores verdes e o plantio de árvores em pontos estratégicos, até o melhor aproveitamento de áreas que hoje estão vazias e poderiam virar espaços de convivência mais frescos”, disse Tainá.

No Morro Salgueiro, a iniciativa busca aliar o monitoramento climático à exportação de soluções de mobilização comunitária. “Temos a particularidade de estar em uma zona de amortecimento do parque nacional, então temos áreas arborizadas, temos quintais produtivos, hortas, e a nossa percepção de calor, certamente, é diferente de uma favela mais urbana, menos arborizada”, avaliou Emerson Menezes, presidente do Instituto Sal-Laje. Ele também destacou a falta de acesso a ar condicionado como um problema comum entre os moradores de favelas.

O projeto busca, ainda, integrar o conhecimento local, como o do Coletivo de Erveiras e Erveiros do Salgueiro, que mantém uma horta comunitária e apoia moradores com mudas. Em Manguinhos, os técnicos serão do Coletivo Manguinhos Cria.

Com informações da Agência Brasil