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Montagem de kits importados pode custar 69 mil empregos e R$ 103 bi à indústria automotiva brasileira

A produção de veículos no Brasil utilizando predominantemente kits importados, em regimes como CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down), representa uma ameaça iminente a 69 mil empregos diretos e a outros 227 mil postos de trabalho indiretos. A constatação é de um estudo recente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que aponta para um cenário preocupante com potenciais perdas econômicas bilionárias e prejuízos à balança comercial do país.


Perdas Econômicas e de Empregos

O levantamento da Anfavea estima que a adoção em larga escala desses modelos de montagem pode resultar em uma evasão de R$ 103 bilhões anuais para o setor de autopeças, além de uma redução de aproximadamente R$ 26 bilhões na arrecadação de tributos. As exportações de veículos também seriam duramente afetadas, com uma queda projetada de R$ 42 bilhões em um único ano, impactando negativamente o comércio exterior brasileiro.


No modelo CKD, os veículos chegam ao Brasil completamente desmontados, exigindo processos locais de soldagem, pintura e montagem final. Já o SKD envolve a importação de conjuntos maiores e pré-montados, com uma etapa de montagem local mais simplificada e de menor complexidade industrial. A montadora chinesa BYD, por exemplo, tem utilizado o regime SKD em sua fábrica na Bahia.

Pressão por um Ambiente Competitivo Justo

A polêmica ganhou força após o governo federal autorizar, em meados do ano passado, uma cota adicional de US$ 463 milhões com Imposto de Importação zerado para veículos elétricos e híbridos desmontados. Essa medida, que beneficiou a BYD e expirou em janeiro, gerou críticas de montadoras tradicionais e da própria Anfavea. A associação agora pressiona o governo para que o benefício não seja renovado, buscando evitar a descaracterização da indústria nacional.

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, ressalta que os regimes CKD e SKD não são intrinsecamente prejudiciais, tendo sido porta de entrada para diversas montadoras no Brasil no passado. O ponto de discórdia, segundo ele, reside na concessão de incentivos para a montagem em alto volume sem a exigência de agregação de valor local. Essa prática, alerta, ameaça a sobrevivência de uma indústria de alta complexidade e a geração de empregos qualificados.

A Anfavea defende um ambiente de negócios com regras equitativas, onde todas as empresas compitam em condições semelhantes. A associação reitera, em manifesto, ser contra a renovação da isenção para a importação de kits, argumentando que, embora possa parecer vantajosa no curto prazo, tal política não constrói uma indústria robusta, não desenvolve cadeias produtivas locais e fragiliza o parque industrial brasileiro construído ao longo de décadas.

Procurada, a BYD ainda não se pronunciou sobre o tema. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que o sistema de cotas para importações de CKD e SKD termina em janeiro e que, até o momento, não há pedido de renovação por parte do setor.

Com informações da Agência Brasil.