
A Acadêmicos de Niterói apresentará em seu samba-enredo a emocionante história de Dona Lindu, mãe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a própria trajetória do líder político, desde sua origem humilde no agreste pernambucano até a presidência da República. A cantora e compositora Teresa Cristina, uma das autoras da obra, revelou que a inspiração para a composição veio da figura materna de Lula e de sua jornada de superação.
“Ela fez isso por amor, né? Ela veio atrás do pai [das crianças]”, explicou Teresa Cristina em entrevista à Agência Brasil, referindo-se à motivação de Dona Lindu. “O samba é sobre o Brasil. É sobre um Silva. É sobre sobreviventes”. O samba-enredo, assinado em parceria com André Diniz, Paulo César Feital, Fred Camacho, Junior Fionda, Arlindinho Cruz, Lequinho, Thiago Oliveira e Tem-Tem Jr., busca imortalizar a história de vida do presidente.
Ao serem informados sobre o enredo, Lula se comoveu. “Quando a gente falou para ele: ‘olha, o samba é uma história sendo contada pela sua mãe’, o olho dele na hora deu aquela marejada”, contou Teresa Cristina. O presidente, após ouvir a canção, chorou copiosamente, relembrando sua mãe e seu pai, demonstrando grande emoção e felicidade por ver sua história registrada em forma de samba.
Do agreste à presidência: uma jornada de superação
O mulungu, árvore citada no título do samba, remete às brincadeiras de infância de Lula e seus irmãos no agreste pernambucano. O enredo destaca a jornada do menino que se tornou operário, líder sindical, político e, finalmente, presidente, uma trajetória que, segundo o presidente da Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares, merece respeito independentemente de posições políticas.
Além da trajetória pessoal, o samba-enredo aborda as melhorias nas condições de vida da população durante os mandatos de Lula, com menções ao combate à fome e à ampliação do acesso à educação. A letra também presta homenagem a figuras como o ex-deputado Rubens Paiva, a estilista Zuzu Angel, o jornalista Wladimir Herzog, o sociólogo Betinho e o cartunista Henfil, todos marcados pela ditadura militar ou por suas lutas sociais.
Uma referência sutil, mas significativa, é feita à música “Vai passar” de Chico Buarque, com os versos “Olê, olê, olê, olá/ Vai passar nessa avenida mais um samba popular”. Teresa Cristina admitiu ter incluído essa passagem para evocar a memória do artista e sua postura de coragem e apoio ao Brasil, especialmente em tempos de ditadura.
Enredo recorrente e outras homenagens presidenciais
Esta não é a primeira vez que Lula é tema de escolas de samba. Em 2012, a Gaviões da Fiel apresentou o enredo “Verás que um filho teu não foge à luta – Lula, o retrato de uma nação”, e em 2023, a Cidade Jardim, de Belo Horizonte, desfilou com “Sem medo de ser feliz”. Outros presidentes também já foram homenageados, como Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, por diversas agremiações.
É importante ressaltar que o desfile da Acadêmicos de Niterói não será financiado pela Lei Rouanet. A escola chegou a obter autorização para captar recursos, mas desistiu devido ao prazo apertado. No entanto, o Carnaval do Rio contará com um aporte de R$ 1 milhão para cada agremiação do grupo especial, fruto de um termo de cooperação entre a Embratur e a Liesa, com interveniência do Ministério da Cultura.
Com informações da Agência Brasil





