‘Lula é capaz de tudo para ser presidente’, diz terrorista Cesare Battisti em carta

foto: Marcello Casal/ Agência Brasil

Em prisão perpétua na Itália pela participação em assassinatos ocorridos em atos terroristas, Cesare Battisti já não conta mais com o suporte de Lula e da esquerda do Brasil, onde se refugiou por 14 anos. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o italiano afirmou que se sentiu usado pelo governo do PT e criticou o ex-presidente.

A entrevista com Battisti foi construída por meio de troca de cartas com o terrorista, encarcerado num presídio da região da Calábria. O italiano de 67 anos disse entender que a ambição desmedida de Lula permitiu que Jair Bolsonaro vencesse as eleições de 2018. Para o terrorista, o petista é “capaz de tudo” para voltar ao Palácio do Planalto.

“Todos sabemos que Lula é capaz de tudo para colocar de novo a faixa de presidente. O animal político que nunca se contradiz. Aconteceu também comigo de admirar seu cinismo político (no sentido vulgar do termo) e o extraordinário jogo de cintura”, afirmou Battisti.

“Se Lula e o PT não tivessem comido tudo, se não tivessem feito acordo com todo o lixo do ‘centrão’, o povo brasileiro não teria desistido para correr atrás de Bolsonaro.”

O italiano foi defendido no processo de extradição por Luís Roberto Barroso, antes da entrada do advogado no Supremo Tribunal Federal (STF). Lula negou enviar Battisti à Itália em 2010, usando prerrogativa presidencial, em seus últimos atos na Presidência da República. Depois da prisão do terrorista, o petista disse publicamente que se arrependeu da decisão.

Battisti deixou o Brasil há três anos e meio. Depois de perder a proteção do governo do PT, o terrorista decidiu fugir do país para escapar da extradição à Itália, prometida por Bolsonaro na campanha de 2018. O italiano acabou capturado na Bolívia em janeiro de 2019 pela polícia do país.

Hoje, em perspectiva, Battisti diz ver hipocrisia na proteção recebida durante os anos Lula e Dilma Rousseff.

“Fui recebido não porque fosse declarado inocente, mas exatamente para deixar ser exibido como troféu de guerrilheiro às forças de esquerda do Brasil. Para eles, não interessava um inocente perseguido, mas o combatente da liberdade. Lula e seu partido me apoiaram por isso. De toda forma, não se dá refúgio apenas aos inocentes”, admitiu.

Os crimes de Battisti

Na década de 1970, Cesare Battisti integrou o grupo Proletários Armados pelo Comunismo, responsável por quatro homicídios em menos de dois anos no período. Todos os incidentes tiveram a participação direta ou indireta do terrorista, acolhido tempos depois no Brasil.

Em dois homicídios, Battisti foi condenado como autor dos disparos: o do agente penitenciário Antonio Santoro, em 1978, e o do motorista da polícia Andrea Campagna, em 1979. Nos outros crimes, foi condenado por dar cobertura e como coidealizador.

Com informações da revista Oeste

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