Início Política Investigação sobre suposta compra de votos para David Almeida segue parada há...

Investigação sobre suposta compra de votos para David Almeida segue parada há mais de um ano na Polícia Federal

O prefeito de Manaus, David Almeida (Foto: Reprodução/ Secom Manaus | Composição: CENARIUM)
O prefeito de Manaus, David Almeida (Foto: Reprodução/ Secom Manaus | Composição: CENARIUM)

Uma investigação que apura suspeitas de compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Manaus, envolvendo apoiadores do prefeito David Almeida (Avante), permanece praticamente sem avanços na Superintendência da Polícia Federal no Amazonas (PF-AM). Mesmo após mais de um ano do início do caso, quatro telefones celulares apreendidos durante a operação ainda não passaram por perícia, segundo reportagem divulgada pela imprensa local.


A informação foi revelada na noite desta terça-feira (3) pela Rede Amazônica, durante o telejornal Jornal do Amazonas 2 (JAM2), que destacou a demora na análise dos aparelhos que poderiam trazer novos elementos para a investigação.


Operação ocorreu dias antes do segundo turno das eleições

A investigação teve início poucos dias antes do segundo turno das eleições municipais de 2024, quando agentes da Polícia Federal realizaram uma operação em um centro de convenções de uma igreja evangélica em Manaus.

Na ocasião, foram presos em flagrante os pastores Flaviano Paes Negreiros e Werter Monteiro Oliveira, suspeitos de participar de um esquema de compra de votos em favor do então candidato à reeleição David Almeida. Um terceiro suspeito conseguiu fugir no momento da abordagem policial.

De acordo com as informações divulgadas à época, os agentes encontraram R$ 21 mil em dinheiro vivo, que estava separado em envelopes numerados destinados a eleitores. No local também foi apreendida uma lista de presença, que, segundo a investigação, registrava os participantes da reunião.

Dinheiro teria sido distribuído a eleitores

Segundo relato apresentado pela Polícia Federal, o grupo teria organizado um esquema estruturado para distribuição dos valores.

De acordo com a apuração:

  • Um dos envolvidos ficava responsável por anotar os nomes dos eleitores

  • Outro conferia os registros em uma lista

  • Um terceiro participante entregava os envelopes com dinheiro

Depoimentos colhidos pela PF indicaram ainda que cerca de R$ 38 mil já haviam sido distribuídos na noite anterior à operação, o que ampliou as suspeitas sobre o funcionamento do esquema.

Nome de David Almeida aparece em auto de prisão

Nos documentos da investigação, o nome do prefeito David Almeida aparece citado seis vezes no auto de prisão em flagrante, conforme relatado pelas autoridades à época.

Em depoimento, o pastor Flaviano Paes Negreiros afirmou que os recursos usados na suposta compra de votos teriam sido fornecidos por um “irmão da igreja” ligado à campanha do prefeito.

Ainda segundo a Polícia Federal, os eleitores foram convocados para a reunião sob o argumento de discutir o “progresso da comunidade”, o que teria servido como pretexto para a realização do encontro.

Celulares apreendidos ainda aguardam perícia

Durante a operação, os agentes também apreenderam quatro telefones celulares, que poderiam conter conversas, registros ou outras evidências relacionadas ao caso.

No entanto, mais de um ano depois, os aparelhos ainda não passaram por perícia técnica, etapa considerada fundamental para o avanço das investigações.

Além das duas prisões em flagrante, outras três pessoas foram encaminhadas para prestar depoimento no decorrer da operação.

Crime de corrupção eleitoral

De acordo com a Polícia Federal, os envolvidos podem responder pelo crime de corrupção eleitoral, previsto no Código Eleitoral brasileiro.

A legislação estabelece que a compra de votos pode resultar em:

  • pena de até quatro anos de prisão

  • pagamento de multa

Na ocasião da operação, a PF informou que os presos poderiam responder ao processo em liberdade após o pagamento de fiança, conforme previsto na legislação.

Enquanto isso, a investigação segue aberta, mas a falta de análise dos celulares apreendidos tem levantado questionamentos sobre a lentidão no andamento do caso, que envolve um dos episódios mais sensíveis da disputa eleitoral em Manaus em 2024.

Com informações do D24AM