Um apostador anônimo obteve um lucro estimado em R$ 2,22 milhões (aproximadamente US$ 410 mil) ao prever a derrubada do presidente venezuelano Nicolás Maduro. A aposta foi realizada em uma plataforma de mercado de previsão antes da operação militar dos Estados Unidos que culminou na prisão do líder. O ganho expressivo se deu pela compra de contratos a preços baixos, em um momento em que a probabilidade de tal desfecho era considerada mínima pelo mercado.
Apostas Antecipadas em Mercado de Previsão
O investidor utilizou a plataforma Polymarket, conhecida por permitir apostas em eventos reais. Na sexta-feira (2), ele adquiriu contratos relacionados à destituição de Maduro. Naquele momento, o valor total dessas apostas era de cerca de US$ 34 mil. Contudo, após a confirmação da operação militar americana e da prisão de Maduro, o valor desses contratos disparou, transformando a posição inicial em um lucro substancial.
Mercados de previsão funcionam com base em contratos de “sim” ou “não”. Se o evento previsto ocorre, o contrato paga US$ 1. A estratégia do investidor anônimo foi comprar esses contratos quando seu valor de mercado era baixo, apostando na concretização de um evento de baixa probabilidade aparente. A divulgação da operação militar dos EUA e a consequente prisão de Maduro validaram a aposta, gerando um retorno significativo sobre o investimento inicial.
Impacto nos Mercados Financeiros e Debates Regulatórios
A prisão de Nicolás Maduro também reverberou nos mercados financeiros. Na segunda-feira (5), os principais índices de ações apresentaram alta, impulsionados pela expectativa de estabilidade política. O preço do petróleo também subiu, beneficiando ações de empresas do setor de energia. Títulos da dívida venezuelana, que vinham sendo negociados a baixos patamares devido ao calote do país, também registraram valorização, com investidores antecipando uma possível reestruturação da dívida.
O episódio levanta discussões sobre o uso de informações privilegiadas em mercados financeiros e plataformas de apostas. Parlamentares nos Estados Unidos já debatem a criação de leis para coibir práticas semelhantes. Um projeto de lei em discussão visa proibir que autoridades eleitas e funcionários federais realizem apostas em mercados de previsão, devido ao risco de acesso antecipado a informações sensíveis. A conta anônima na Polymarket foi criada no mês anterior, e o investidor realizou compras de contratos até o dia 27 de dezembro, apostando na realização de uma operação militar na Venezuela até o final de janeiro.
A Polymarket, que obteve autorização para operar nos EUA em setembro, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. A Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC) também não informou se iniciou alguma investigação sobre as negociações relacionadas à prisão de Maduro.





