
A crescente instabilidade geopolítica global tem impulsionado a busca por independência do petróleo, mas esforços isolados não são suficientes para mitigar os riscos de insegurança energética e volatilidade econômica. Segundo um estudo, a falta de planejamento e cooperação internacional sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis (TAFF) expõe os países a ameaças crescentes.
Cláudio Angelo, coordenador de política internacional do Observatório do Clima, destaca a importância de um processo global que abranja a dinâmica de produção e consumo de energia. “As iniciativas nacionais que existem são tijolos extremamente úteis para a construção dos mapas do caminho, mas elas precisam de escala, critérios e horizonte de tempo. Daí a importância do esforço multilateral”, afirma.
Elementos essenciais para a transição energética
O relatório identifica cinco elementos orientadores para a construção de um mapa do caminho eficaz e para a ampliação de planos nacionais:
1. Alinhamento com a ciência climática
A transição deve estar fundamentada em dados científicos e metas climáticas globais.
2. Abordagem integral
Considerar tanto os aspectos de produção quanto os de consumo de energia é crucial.
3. Planejamento inclusivo e justo
Garantir a proteção dos trabalhadores e aplicar princípios de justiça na transição.
4. Soberania nacional e transversalidade
Assegurar a soberania das nações nas formas de transição, com cooperação entre diferentes níveis de governo.
5. Direitos humanos e proteção social
Basear a transição em direitos humanos, com garantias sociais, especialmente para os mais vulneráveis.
Segurança e previsibilidade para países produtores
A estruturação do processo com planejamento e financiamento coordenados oferece maior segurança aos países produtores de petróleo, como o Brasil, e ao mercado global. “Os países dependentes das receitas de combustíveis fósseis precisam de trajetórias previsíveis e de coordenação internacional para diversificar [a produção energética] com sucesso”, explica Stela Herschmann, especialista em Política Climática do Observatório do Clima.
Decisão global e data para o fim da era fóssil
Cláudio Ângelo defende que o mundo precisa decidir e implementar a transição, estabelecendo uma data que permita o desmame dos combustíveis fósseis e a adaptação do mercado. “Nos últimos dias, em Juiz de Fora e no Irã, estamos vendo o duplo risco da nossa dependência de fósseis: o climático e o econômico. Enquanto não sinalizarmos claramente que essa era terá um fim, seguiremos sujeitos às vontades de São Pedro e aos caprichos do Donald Trump da vida”, conclui.
Com informações da Agência Brasil





