Guedes pede “licença” ao teto de gastos, dólar dispara e bate R$ 5,67

O dólar caiu a R$ 5,67 nesta manhã, um dia depois de o ministro Paulo Guedes confirmar que parte do Auxílio Brasil, programa que vai beneficiar o Bolsa Família, será paga fora do teto de gastos. Investidores veem isso como uma manobra fiscal com fins eleitoreiros.

Por volta de 09h35, a moeda americana tinha alta de 1,67%, negociada a R$ 5,6510, após atingir a máxima de R$ 5,6750.

No mesmo horário, o Ibovespa futuro cedia 0,47%.

As taxas de juros futuros também tinham forte alta no início do pregão. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 subia de 7,66% no ajuste anterior para 7,91% e a do DI para janeiro de 2023 passava de 9,91% para 10,425%.

O juro do DI para janeiro de 2025 disparava de 10,90% para 11,43% e o do DI para janeiro de 2027 avançava para 11,78% ante os 11,27% da leitura anterior.

O impacto negativo já pôde ser sentido na quarta-feira. Após as falas do ministro, o Ibovespa futuro cedeu 1,81%, depois que o índice teve leve alta de 0,10% no pregão regular.

As taxas de juros e o dólar futuro também voltaram a subir na sessão estendida.

Além dos já conhecidos problemas domésticos, os ativos enfrentam um pregão com a percepção de risco mais forte no exterior.

A situação da gigante do setor imobiliário chinês Evergrande voltou a pesar nos mercados nesta quinta-feira, prejudicando negócios na Ásia e na Europa. A imobiliária cancelou a venda de sua subsidiária e está perto de um calote oficial, que deve ocorrer no fim de semana.

 

Licença para furar o teto

Guedes confirmou que o Auxílio Brasil de R$ 400 deverá ser pago em parte fora do teto de gastos, regra que impede o crescimento das despesas da União acima da inflação.

O ministro disse que o governo deve pedir o que chamou de “waiver” (suspensão da regra) para gastar mais de maneira temporária . Ele confirmou que esse “waiver” seria de “pouco mais” de R$ 30 bilhões fora do teto.

Outra possibilidade levantada seria a revisão da regra prevista. Guedes falou em “sincronização de despesas”, que pode ser a revisão do índice de correção do teto (hoje o IPCA).

Na terça-feira de manhã, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o programa seria feito sem ‘furar o teto’.

A possibilidade de rompimento do teto eleva as preocupações com as já deterioradas contas públicas. E em um ambiente de risco mais alto, a tendência é que o fluxo de saída de dólares aumente.

Um maior risco fiscal também pode elevar a pressão inflacionária, fazendo com que o Banco Central (BC) tenha que elevar mais juros.

 

Evergrande despenca mais de 10%

Na Europa, as bolsas operavam com baixas. Por volta de 09h05, no horário de Brasília, a Bolsa de Londres cedia 0,49% e a de Frankfurt, 0,03%. A Bolsa de Paris cedia 0,38%.

As bolsas asiáticas fecharam com direções contrárias à medida que preocupações com a Evergrande voltaram a pesar sobre os negócios.

O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, caiu 1,87%. Em Hong Kong, houve queda de 0,45% e na China, alta de 0,22%.

As ações da Evergrande, que voltaram a ser negociadas em Hong Kong, caíram 12,54%. O movimento ocorreu depois que a empresa cancelou os planos para vende uma de suas subsidiárias no valor de US$ 2,6 bilhões.

O cancelamento reacendeu os temores pelo calote da companhia, que ainda possui pagamentos de juros com vencimento nesta semana para finalizar.