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Governo investe R$ 17 milhões para formar 760 enfermeiros obstetras e fortalecer o SUS


O Ministério da Saúde anunciou um investimento de R$ 17 milhões para a formação de 760 novos enfermeiros obstetras através do curso de Especialização da Rede Alyne. A iniciativa busca suprir a carência desses profissionais no Sistema Único de Saúde (SUS), com o objetivo de aprimorar a atenção à saúde da mulher durante a gravidez, o parto e o puerpério, promovendo um cuidado mais humanizado e seguro.


A formação, coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com 38 instituições, é destinada a profissionais com pelo menos um ano de experiência na atenção à saúde das mulheres no SUS. O curso, iniciado em novembro de 2025, é um pilar da Rede Alyne, programa lançado em setembro de 2024 com a meta de reduzir a mortalidade materna e infantil.


A lacuna de enfermeiros obstetras no Brasil

O Brasil enfrenta um déficit significativo de enfermeiros obstetras, com apenas cerca de 13 mil profissionais registrados no Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Desse total, menos da metade possui vínculo com estabelecimentos de saúde. Especialistas apontam que a densidade desses profissionais no país (cinco por mil nascidos vivos) é muito inferior à de países com modelos de atenção baseados na enfermagem obstétrica, onde os números variam entre 25 e 68 por mil nascidos vivos.

O papel fundamental do enfermeiro obstetra

O enfermeiro obstetra é especializado no cuidado integral da mulher gestante, parturiente e puérpera. Ele realiza exames, auxilia no parto, presta cuidados ao recém-nascido e colabora com a equipe médica para garantir um atendimento seguro e humanizado. Uma das principais contribuições desses profissionais é a promoção do parto fisiológico, respeitando o processo natural do corpo da mulher e minimizando intervenções desnecessárias, o que pode reduzir complicações e iatrogenias.

Combate à cultura do parto operatório

Especialistas como Renné Costa, conselheiro do Cofen, destacam que a formação e atuação do enfermeiro obstetra são cruciais para reverter a cultura do parto operatório (cesáreas) no Brasil, que apresenta índices alarmantes e contrários às recomendações científicas. Ele ressalta que o parto operatório pode multiplicar em até 70 vezes o risco de morte materna. A valorização do parto natural e a desmistificação de sua segurança são pontos centrais defendidos pelos profissionais da área.

Rede Alyne e o legado de Alyne Pimentel

A Rede Alyne, que engloba essa formação, é uma reestruturação da antiga Rede Cegonha e homenageia Alyne Pimentel, jovem negra que morreu aos 28 anos durante a gestação devido a negligência médica. O programa reafirma o compromisso do governo com o enfrentamento das desigualdades na saúde e a garantia de atenção de qualidade para gestantes, puérperas e recém-nascidos, com o objetivo de reduzir a mortalidade materna em 25% e a de mulheres negras em 50% até 2027.

Experiências e desafios regionais

Relatos como o da empresária Valéria Monteiro, que vivenciou um parto normal humanizado com acompanhamento de enfermeira obstétrica, ilustram os benefícios dessa assistência. Embora regiões como o Rio de Janeiro apresentem boa cobertura em suas maternidades, outras áreas do país ainda enfrentam desafios na oferta e na experiência prática desses profissionais, o que tem levado a Secretaria de Saúde a investir em capacitação e treinamento em serviço.

Com informações da Agência Brasil

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