
Intervenções em praias, muitas vezes motivadas por construções turísticas em áreas vulneráveis, podem gerar desequilíbrios ambientais significativos. Segundo o professor Alexander Turra, pesquisador do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), estruturas emergenciais podem resolver problemas localizados, mas acabam intensificando a erosão em outros pontos da costa.
Efeito dominó e perda de barreiras naturais
Turra explica que essas obras podem reter areia em um lado e acelerar a erosão em outro, criando um efeito dominó. Ele cita casos no litoral sul da Bahia e no litoral paulista onde empreendimentos turísticos levaram à supressão de restingas e dunas, ecossistemas que funcionavam como barreiras naturais contra o avanço do mar.
Com a erosão intensificada, a construção de muros de contenção para proteger instalações, como hotéis, tem resultado na perda quase total da faixa de areia durante a maré alta. Essas estruturas de concreto são estáticas e não se adaptam aos ciclos naturais dinâmicos da praia.
Soluções baseadas na natureza como alternativa
Pesquisadores defendem a ampliação das chamadas soluções baseadas na natureza para a proteção costeira. A bióloga Janaína Bumbeer, gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário, destaca o papel fundamental de ecossistemas como manguezais, restingas, dunas e recifes de coral.
Esses ambientes absorvem a energia das ondas, mantêm os sedimentos no lugar e amortecem o impacto das tempestades. Além da proteção, oferecem benefícios econômicos e ambientais. Um estudo coordenado por Bumbeer estima que os recifes de coral do Nordeste brasileiro evitam até R$ 160 bilhões em danos graças à sua função de proteção costeira.
Benefícios de manguezais, restingas e dunas
Manguezais, além de armazenarem grandes quantidades de carbono, sustentam cerca de 70% das espécies pesqueiras exploradas comercialmente no Brasil. Restingas e dunas, quando preservadas, conseguem acumular sedimentos e crescer verticalmente, acompanhando a elevação do nível do mar.
Planejamento e conhecimento público são essenciais
Para Turra, ampliar o conhecimento público e planejar melhor a ocupação do litoral são medidas essenciais diante das mudanças climáticas. Ele ressalta que o litoral é um bem coletivo e que seu planejamento com base em evidências científicas garante sua existência e prosperidade para as futuras gerações, em detrimento de interesses particulares de curto prazo.
Com informações da Agência Brasil





