
Convocado a depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, o empresário Paulo Camisotti optou por permanecer em silêncio durante seu depoimento nesta quinta-feira (26). Ele é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema criminoso responsável pelo desvio de bilhões de reais de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Filho e sócio de empresário preso
Paulo Camisotti, de 33 anos, é apontado como dirigente de mais de 20 empresas investigadas. Ele é filho e sócio de Maurício Camisotti, detido desde setembro de 2025, sob acusação de envolvimento na fraude que lesou milhões de segurados do INSS em todo o país.
Direito ao silêncio amparado por habeas corpus
Amparado por um habeas corpus e seguindo orientação de seu advogado, Paulo Camisotti exerceu seu direito constitucional de não responder a perguntas que pudessem incriminá-lo. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), foi o primeiro a questioná-lo. O empresário limitou-se a confirmar ser presidente da Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Saúde e Benefícios (ABCS) e filho de Maurício Camisotti.
Empresas da família movimentaram R$ 800 milhões
O relator da comissão destacou que as empresas da família Camisotti movimentaram mais de R$ 800 milhões, com R$ 350 milhões destinados diretamente a eles. Maurício Camisotti, pai de Paulo, é apontado como o principal beneficiário do esquema.
“Esta família é cinco vezes mais forte do que o Careca do INSS”, afirmou Alfredo Gaspar, referindo-se a Antônio Carlos Camilo Antunes, lobista considerado um dos principais operadores da fraude.
Gaspar denunciou que Paulo e Maurício Camisotti estruturaram uma rede de serviços fictícios que subtraía dinheiro de associações dominadas por eles, recursos que saíam dos bolsos de aposentados e pensionistas. A Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) teria recebido quase R$ 500 milhões em descontos associativos por serviços não prestados.
Diretoria da Ambec com laços familiares e funcionários
O relator detalhou que a diretoria da Ambec era composta por pessoas com laços familiares ou funcionários das empresas da família Camisotti. O primeiro presidente da Ambec foi Ademir Fratic Bacic, primo de Paulo Camisotti. José Hermicesar Brilhante, outro presidente, trabalhava nas empresas de Paulo. Luciene de Camargo Bernardo era prima de Maurício Camisotti, e Antonio Fratic Bacic, tio de Paulo. Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, atuava como procurador da Ambec.
“O senhor, seu pai e o resto da gangue tiraram milhões de reais do povo brasileiro”, acusou Gaspar, dirigindo-se a Paulo Camisotti.
A defesa do empresário não se pronunciou sobre o conteúdo das acusações durante a audiência pública.
Com informações da Agência Brasil





